24/11/09

VACINA DA GRIPE A: AUXILIARES DEVEM OU NÃO VACINAR-SE ?


   Diariamente se continua a falar da Gripe A e os meios de comunicação social inundam os nossos cérebros com notícias, por vezes, mais alarmantes do que verdadeiras. Está a processar-se a vacinação de muitas pessoas. O pessoal que trabalha a área da saúde tem sido chamado para ser vacinado. Os hospitais já estão a vacinar e conheço colegas auxiliares que já foram "picados" contra a gripe A.
   É ou não aconselhável que os Auxiliares de Acção Médica se vacinem?
   Há ou não perigo de que os profissionais de saúde não vacinados, poderem contaminar os doentes?
   Pelo que vou lendo nos jornais a ideia com que fico é a de que cada profissional deve tomar a atitude que a sua consciência lhe soprar. Há médicos e enfermeiros que não se vão vacinar e alguns escrevem as suas razões:
« Se não me vacino habitualmente para a outra ( a sazonal ) porque é que me vou vacinar para esta, que sei que não é mais grave? Acho que houve um alarmismo exagerado e um certo aproveitamento político. E se sobrassem metade das vacinas quem se vai responsabilizar por ter mandado para o lixo 22,5 milhões de doses no valor de 45milhões de euros?»
   Declarações ao Jornal Público de 24 de Novembro, feitas pelo Dr.Miguel Oliveira e Silva, presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida
  
   E o director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, Dr.António Vaz Carneiro, em entrevista também ao jornal Público de hoje diz isto:
   « o investimento na vacinação em grande escala não se justifica. A decisão da compra de milhões de doses foram meramente políticas. A posição da OMS é errada. Defendo apenas a vacinação de grupos de risco muito selectivos. Fundamentalmente porque acho que esta doença não tem gravidade suficiente que justifique a vacinação maciça. Entendo que, neste momento o impacto global da doença na população portuguesa, comparando com outras, não é tão importante como isso, então a despesa envolvida não se justifica. É só nesta altura que uso o argumento do dinheiro. Há quem calcule que o gasto ( todos os custos com a doença ) já ascende a 67 milhões de euros. Não é razoável. Então os portugueses continuam a morrer tranquilamente de doenças cardiovasculares e estamos todos preocupados com a gripe?»
   E o jornalista pergunta ao Dr.António Vaz Carneiro: Como é que compreende que a maior parte dos profissionais de saúde continue a não querer-se imunizar?
   Resposta do Dr.António Vaz Carneiro: O argumento de que os profissionais de saúde podem contagiar os doentes é muito falacioso. A percentagem de risco acrescido pode ser evitado, não com vacinação, mas sim com cuidados extra de higiene, com a lavagem das mãos, o uso de máscaras. Com as precauções devidas, a probabilidade extra de contágio é negligenciável.O que me preocupa são as infecções nosocomiais ( hospitalares )  provocadas por outros microorganismos. Mais, o pool de vírus não está no hospital, o pool de vírus está cá fora, na comunidade.»

   São duas opiniões de gente que tem competência para as dar. Eu, sou um humilde auxiliar interessado em ajudar outros colegas a sermos mais competentes e mais esclarecidos na área da saúde.

  

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