04/04/10

PÁSCOA NO HOSPITAL

Visita Pascal no hospital
Hoje é Domingo de Páscoa. A igreja católica celebra a Festa da Ressurreição de muitas maneiras. A Visita Pascal é uma das tradições mais antigas, principalmente no norte do país. E este ano, eu trabalhei durante todo o dia no serviço de internamento do hospital. Logo pela manhã ouviu-se a campainha a anunciar a chegada da cruz e acompanhada por um grupo de leigos que percorreram as enfermarias anunciando a ressurreição de Jesus Cristo.


25/03/10

HORÁRIOS SOBRECARREGADOS AFECTAM O DESEMPENHO DOS ASSISTENTES OPERACIONAIS

Fadiga, desgaste, alguns erros no trabalho, irritação e conflitos entre colegas e até alguma alteração na relação com os doentes - estes são sintomas da sobrecarga horária que os Assistentes Operacionais sentem quando trabalham muitas horas. Ainda podemos juntar uma possível alteração do humor e do comportamento, alterações nas relações sociais e familiares. Excesso de trabalho também diminui a concentração e causa lentidão na realização de algumas tarefas.


Muitas vezes a sobrecarga horária tem origem na falta de Assistentes Operacionais relativamente às necessidades reais dos serviços dos estabelecimentos de cuidados de saúde(hospitais, centros de saúde, USF,...). E há assistentes operacionais que têm sobrecarga horária já há muitos meses seguidos. Às vezes porque falta um colega, outras vezes porque um colega tem um acidente de trabalho ou alguém doente em casa e que necessita de cuidados inadiáveis e também porque algum colega se aposentou.

Com sobrecarga horária leva a que os Assistentes Operacionais deixem de gozar alguns dos seus direitos ( direito ao descanso semanal e complementar, ao gozo de feriados, horas e licenças para formação, gozarem as férias em tempo socialmente oportuno, etc.).

A sobrecarga horária leva o Assistente Operacional a trabalhar em ambiente de tensão, ansiedade, fadiga altera as atitudes e as condutas dos profissionais e consequentemente o doente é tratado de uma forma fria e impessoal.

Quando o Assistente Operacional se começar a sentir desorientado, indeciso, descrente, irritado, reduzir a qualidade do seu desempenho, começar a ter falta de atenção aos pormenores, quando mostra alguma ineficácia e algum desinteresse e absentismo...é um ALERTA de que algo de grave se está a passar na sua vida.

E afinal, o que é sobrecarga horária?

São todas as horas efectuadas para além das 35 ou 40 horas que estipulam os contratos de trabalho.

Conheço Assistentes Operacionais que chegam a fazer 70 a 80 horas de trabalho extraordinário, muitas vezes em turnos de 12 horas contínuas ( turno da manhã e turno da tarde), ou de 18 horas contínuas com o turno da tarde que engata no turno da noite e também trabalhar o turno da noite e continuar no mesmo serviço o turno da manhã, ou sejam, 18 horas sem descanso.

Esta situação demonstra bem de que os Assistentes Operacionais estão muitas vezes a trabalhar no limite máximo das suas capacidades. Tudo tem um tempo. Pontualmente tudo bem, por sistema, indicia má gestão dos recursos e eventualmente aproveito.

05/03/10

ASSISTENTES OPERACIONAIS: NEM OITO NEM OITENTA!

Há uns anos viveu um homem religioso que afirmou:
«A religião é como o sal na comida, nem muito nem pouco, apenas o suficiente»
Olhando para estes cartazes podemos pensar da mesma forma. Se não espreitem:

      O mês de Março é dose dupla para os Assistentes Operacionais. Concordo que a formação é importante e necessária ao longo da nossa carreira. Já não estou de acordo com a programação feita para o mesmo mês, para um local tão próximo um do outro e com temas muito parecidos...seremos assim tantos Assistentes Operacionais com disponibilidade e dinheiro para participar nos dois eventos? Eu fiz uma opção e vou participar apenas num deles. Para a próxima, pensem e combinem melhor as datas destas actividades. Todos sabemos que nada é gratuito!

ASSISTENTES OPERACIONAIS TRABALHAM MUITO E GANHAM POUCO










A greve foi ontem. Como sempre, o Governo declara que teve pouca adesão e os sindicatos vêm afirmar o contrário. Mas esqueçamos a realidade dos números e pensemos nos motivos que levam as pessoas a deixar de ganhar um dia de salário, mesmo que para alguns o pouco que ganham, lhe faça muita falta para pagar as despesas que têm que pagar.
Desta vez, os sindicatos uniram-se e gritaram as mesmas palavras de protesto: contra o congelamento dos ordenados, contra a penalização nas pensões de reforma e contra a precaridade do trabalho ( não gosto da palavra emprego ). Todos os trabalhadores portugueses sentem na pele a pressão que este Governo tem feito sobre os operários e em especial sobre os Assistentes Operacionais, onde estamos os Auxiliares de Acção Médica metidos. Diz o Governo que é necessário combater o défice. Mas afinal, o défice está onde está porque o P.M. Sócrates decidiu, pois, disse que foi a forma de ajudar as empresas, os trabalhadores...mas só se lembra de congelar salários, de responsabilizar os trabalhadores mesmo que os seus ordenados tenham como valor base 450 euros, ou seja, um valor abaixo do salário mínimo nacional que o Governo defende para 2010, que é de 480 euros. Ora, onde estamos afinal de contas? E a verdade não é aquela que eles dizem. Quem pensa que são os ordenados da função pública que absorvem as maiores despesas, é um puro engano. As despesas que o Governo tem ( mas esconde debaixo do tapete ) com muitos Assistentes Operacionais é paga a empresas privadas que recrutam profissionais fora da Administração Pública e nem sempre as pessoas são realmente valorizadas e remuneradas.
   Digam o que disserem, a verdade é que ontem os serviços de saúde em Portugal andaram mais devagar, com mais tempos de espera, com consultas adiadas, com cirurgias adiadas.
   Ai Portugal, Portugal...

29/01/10

ELAS ACONTECEM A TODOS



Os acontecimentos, uns bons e outros maus, têm sempre uma mensagem a que devemos prestar atenção e reflectir sobre os ensinamentos que essas ocorrências trazem para a nossa vida.
   Há umas semanas atrás parti o pé direito. O pé partido não me tem permitido grandes movimentos, mesmo dentro de casa, mas trouxe algumas vantagens. Começou por me obrigar a ficar em casa, de baixa, posso dizer que não é uma vantagem, mas pensei que seria uma oportunidade que tinha nas mãos para ordenar as minhas ideias e os meus pensamentos, uma vez que ultimamente pareciam andar um bocado à deriva na minha vida.
   O meu pé partido ensinou-me que o dia de hoje pode não ser o mesmo amanhã. Hoje estamos a trabalhar, amanhã não sabemos onde e o que estaremos a fazer. Entendi que apesar de necessitar de trabalhar e de exercer a função de auxiliar de acção médica com paixão e dedicação num hospital, há mais vida do que a que vemos no nosso quotidiano. Quando parti o pé só me preocupei com o facto de não poder ir trabalhar. E acabei por não faltar ao serviço e apenas o fiz quando já não aguentava as dores. O que ao princípio me parecia uma pisadura, um mau jeito que dei ao pé, acabou por me obrigar a ficar em casa muito mais tempo. Mesmo quando o médico que me atendeu na urgência me anunciou que este ano iria passar o Natal em família, em nada contribuiu para que me sentisse melhor e mais feliz. Já não bastava estar a minha mulher internada numa unidade hospitalar, agora eu também ia passar uns dias em casa, de baixa e com duas canadianas de apoio,  ficando  à mercê da disponibilidade das minhas filhas e do meu sobrinho para apoiar a minha mulher. É que não podendo deslocar-me ao hospital não tinha como a ver, a ouvir e saber como estava a evoluir o seu tratamento. Para poder ir visitá-la tive que estar sempre dependente da disponibilidade do meu sobrinho, da minha cunhada ou dos amigos. Felizmente e graças a estas pessoas penso que apesar deste contratempo, lá consegui fazer o meu papel de marido que ama e quer viver com uma família feliz.
Haja saúde, sim muita saúde, porque o resto meus amigos, vem por acréscimo.
  

17/01/10

JORNADAS PARA ASSISTENTES OPERACIONAIS


   Clique na imagem para ler melhor



Mais uma oportunidade para ser excelente profissional. A excelência não se nasce com ela e muito menos se compra num qualquer "take away", mas, sim, que temos que produzir as oportunidades para alcançar o êxito. Ser excelente é traçar um bom plano de formação para ajudar a alcançar os objectivos desejados, apesar de todas a circunstâncias.

MUDAR PARA MELHOR





Para exercer a profissão de Assistente Operacional (  Axiliar de Acção Médica ) temos que gostar de trabalhar com muitas pessoas. O profissional tem que ser um grande ser humano, um ser humano que se emocione com o doente, que saiba sorrir sempre, mesmo que às vezes não consiga conter as lágrimas.
Regra geral, os auxiliares de acção médica, são pessoas simples, mas temos necessidade de aprender  e perceber aquilo que fazemos e ter a capacidade para mudar.
No nosso dia a dia é necessário observar os “pormenores”, especialmente no nosso ambiente de trabalho. O auxiliar de acção médica tem que perceber o que acontece no seu trabalho, pensar no que pode mudar, naquilo que pode ser diferente. É que se todos os dias fizermos as mesmas coisas, não podemos esperar obter resultados diferentes. Ou seja, se o dia de hoje foi igual ao dia de ontem, o de amanhã tem que ser diferente do de hoje.
O comodismo e a falta de criatividade impedem a mudança. É preciso sair da zona de conforto. Os doentes, hoje mais do que nunca, querem ser muito bem atendidos, querem mais atenção, querem cuidados especializados. O ambiente hospitalar está a modificar-se e as pessoas desejam que o nosso trabalho seja diferente daquilo que estão habituadas a ver nos hospitais.
O maior obstáculo que impede a mudança no comportamento do auxiliar de acção médica está muitas vezes na nossa cabeça. Para muitos de nós, tudo é difícil, tudo é perigoso, por isso resistimos a qualquer mudança nas nossas rotinas de trabalho. E o pior é que padecemos desse mesmo mal em casa.
Os auxiliares de acção médica já trabalham num ambiente de dor, de doença, logo, temos que fazer esse ambiente ficar diferente, ficar melhor. E muitas vezes, passa por cada um de nós trabalhar no serviço certo.




31/12/09

VIVA 2010



O tempo é um dos mais valiosos tesouros que temos gratuitamente à nossa disposição. Todos temos direito a viver 24 horas por dia e 365 dias em 2010. Haja saúde e que Deus nos conceda a oportunidade de viver o novo ano.

MENSAGEM DE ANO NOVO




27/12/09

MUDANÇA



A mudança é um acto de fé.
Nasce da luta
entre o velho e o novo.
Todas as mudanças respondem
a forças superiores.
Por isso não há motivo
para te arrependeres
da transformação.

I Ching, do livro "Mudar é Possível"

24/12/09

FELIZ NATAL




BOAS FESTAS A TODOS OS AUXILIARES DE ACÇÃO MÉDICA



BOAS FESTAS
 
Dizem que nesta quadra as pessoas vivem mais sensíveis à solidariedade

e o que é certo é que as emoções natalícias afloram em muitos gestos e

os comportamentos nostálgicos sentem-se entre exultações de alegria.

Sendo uma Festa de Família onde o simbólico Pai Natal foi ganhando

lugar, será importante relembrar o acontecimento que lhe serviu de

génese: o nascimento do Deus Menino.

Dessa simbiose de factores deve emergir a felicidade, alegria e a

saúde como prendas principais.

E são essas prendas transformadas em Votos de Natal que eu quero

remeter a quem visita este espaço, num desejo grande de Festas Felizes.

Boas Festas.

NATAL NO HOSPITAL

NATAL NO HOSPITAL SÃO JOÃO



 
 
 
 
 
 
 
 

16/12/09

A HIGIENE DAS MÃOS




Higiene das mãos melhora nos hospitais

"Os profissionais de saúde estão a ter mais cuidado com as mãos, mas continua a ser preciso reforçar as condições para facilitar a higiene no local de trabalho.
Reduzir as infecções associadas aos cuidados de saúde é “o grande objectivo” da campanha nacional
de higiene das mãos, que quer aumentar a taxa de adesão de 65 para 75 por cento no próximo ano. “É preciso que a higiene das mãos faça parte da rotina dos profissionais de saúde”, referiu a a responsável pela Divisão de Segurança do Doente da Direcção-Geral de Saúde, Cristina Costa. A responsável reconheceu que o nível de consciencialização da importância da higiene das mãos aumentou com a pandemia de gripe,mas sublinhou que a questão já é“pertinente há séculos”. O problema é que “existe uma grande pressão para a higiene das mãos”, mas os profissionais de saúde tem uma carga de trabalho “muito elevada”, o que implica que sejam criadas “condições para facilitar a higiene no local de trabalho”, sustenta Cristina Costa".

Notícia tirada daqui:

http://www.globalnoticias.pt/gnpdf.pdf

Concordo com o que diz a Dra.Cristina Costa. É verdade que os profissionais de saúde, onde se incluem os Auxiliares de Acção Médica (ou Assistentes Operacionais ) temos uma carga de trabalho muito elevada. Também é verdade que as condições existentes em muitos dos estabelecimentos de saúde, não são as mais apropriadas para uma boa implementação de automatismos para a higienização das mãos cumprindo sempre os 5 passos essenciais. Ora é a torneira antiga, a localização incorrecta dos distribuidores de desinfectantes e as consequências que causam à pele das mãos pelo uso frequente...e com tanto trabalho a fazer, às vezes leva os profissionais ao não cumprimento dos 5 passos para uma boa e correcta higienização das  mãos.
   Mas a verdade é que os profissionais de saúde estão cada vez mais a trabalhar respeitando cada vez mais as normas recomendadas para a higienização das mãos.

26/11/09

BADALADAS PARA A GRIPE A



TERESA FORCADES, doutora em saúde pública, teóloga, freira beneditina, faz uma reflexão sobre a história da GRIPE A, revelando dados científicos, e enumerando as irregularidades relacionadas com o tema. Explica as consequências da declaração de PANDEMIA, as  implicações  políticas que dela derivam e faz uma sugestão para manter a calma, bem como um chamamento urgente para activar os  mecanismos legais  e de participação dos cidadãos em relação a este tema.É mais uma pessoa que tem a sua opinião acerca deste tema.




25/11/09

ASSISTENTES OPERACIONAIS: É HORA DE MUDAR


   Recebi pelo correio o BIT nº10 da ATSGS ( Associação dos Trabalhadores dos Serviços Gerais de Saúde ), que periodicamente envia aos seus associados. É um boletim informativo que a ATSGS publica e contém sempre informações importantes sobre o trabalho dos trabalhadores que a associação representa.
   Neste número de Novembro realço os pensamentos de dois profissionais acerca da situação actual dos trabalhadores dos extintos Serviços Gerais.
   Dada a importância e a actualidade do tema, vou transcrever algumas partes das palavras escritas por estes colegas.
   Começo pelo texto assinado pelo "Oiratilos":
                                                                    O SOLITÁRIO
   "Decorreram de Norte a Sul do País no ano de 2009, Jornadas e Congressos para trabalhadores dos Serviços Gerais de Saúde.
    Como solitário, embora acompanhado da minha velha máquina fotográfica, fiz questão de estar presente em todos, fazendo a minha reportagem e análise, deixando um pequeno resumo para reflexão dos Assistentes Operacionais, concluindo que houve dois a três de boa qualidade.
    - Fiquei muito triste, desmotivado e desanimado, nuns mais que outros,
    - pelas críticas destrutivas,
    - leviandade na escolha de trabalhos repetitivos,
    - condução dos mesmos,
    - falta de respeito entre colegas do mesmo Sector Profissional.
    - certificados entregues mesmo antes do início dos trabalhos,
    - palmas e palminhas por trabalhos, frases, sorteios e outros que não gostei de presenciar.
   Deixo a minha sugestão:
   - Reduzir os congressos e jornadas, trazer a estes eventos maior transparência, rigor, disciplina e     qualidade, quer nos trabalhos, quer na condução dos mesmos.
   - Sejam mais rigorosos na entrega dos certificados e não façam desta actividade uma mera cosmética, com fins puramente lucrativos."
                                                                                         "OIRATILOS"
                                                                              in BIT, SGS,nº10 de 2009.11.07



É HORA DE MUDAR
   Como sabemos, através do D.L. 121/2008, de 11 de Julho foram extintas as carreiras dos Serviços Gerais de Saúde cujos profissionais transitaram para a então criada carreira de Assistente Operacional do Regime Geral da Administração Pública, com entrada em vigor em 1 de Janeiro deste ano.
   Aparentemente seria apenas uma mudança de nome e temos ouvido repetidamente que Assistente Operacional ou Auxiliar de Acção Médica é tudo a mesma coisa. Nada mais errado!
   Em primeiro lugar, atente-se no conteúdo funcional de Assistente Operacional:
   "Funções de natureza executiva, de carácter manual ou mecânico, enquadradas em directivas gerais bem definidas e com graus de complexidade variáveis.

   Execução de tarefas de apoio elementares, indispensáveis ao funcionamento dos orgãos e serviços, podendo comportar esforço físico.
 
   Responsabilidade pelos equipamentos sob a sua guarda e pela sua correcta utilização, procedendo, quando necessário, à manutenção e reparação dos mesmos."
 
   Em segundo lugar, note-se que foi revogada toda a legislação referente às carreiras dos Serviços Gerais de Saúde, logo todos os conteúdos funcionais descritos nos anexos ao D.L. 231/92.

   Em terceiro lugar, muitas outras carreiras que nada tem a ver com os Serviços Gerais e principalmente com a de Auxiliar de Acção Médica, foram também integradas na de Assistente Operacional como, por exemplo, Motorista, Telefonista e todas as carreiras operárias ( canalizador, electricista, carpinteiro, serralheiro, etc.) e até carreiras específicas de outros ministérios como a de Auxiliar de Acção Educativa.

   Torna-se pois muito claro o que se pretende com estas alterações que implicam uma regressão sócio profissional sem paralelo na História recente:
   1- A desqualificação dos profissionais para justificar a manutenção de baixos salários.
   2- A polivalência de funções facilitando a aplicação de mecanismos de mobilidade, num pano de fundo de esvaziamento das funções sociais do Estado e sua entrega aos privados(desde que dê lucro).


   No entanto, a verdade é que independentemente do que aconteça às carreiras, a profissão e os profissionais nunca poderão desaparecer.
   Há muito que se fala na necessidade de regulamentação das profissões que integram a carreira de Assistente Operacional. Muito embora reconhecendo essa necessidade, a solução para nós não é essa mas sim a criação de uma carreira com dignidade de regime especial, que responda às carências dos Serviços e dos utentes e às justas expectativas dos profissionais, que se poderá chamar Auxiliar de Acção Médica ou não, desde que se enquadre no nível de qualificação que merece e precisa e que  vai muito para além das supracitadas funções de Assistente Operacional.
   Tem sido primeira linha de preocupação e intervenção da ATSGS a clarificação do papel dos Serviços Gerais e sua justa reposição no tecido laboral dos serviços de Saúde. Para além de reuniões já efectuadas com representantes da Sra.Ministra da Saúde e responsáveis da ACSS, a Direcção da ATSGS continua a exercer todas as pressões possíveis para resolver de vez esta questão prioritária que é a da carreira.
   Lembramos, no entanto, que é fundamental a participação dos trabalhadores neste processo, quer apoiando a Associação, quer mantendo a postura de dignidade e profissionalismo nos serviços e, sobretudo, evidenciando com actos a sua disponibilidade para a luta sempre que necessário. E que não se duvide: vai sê-lo!
   Assistente Operacional sem qualificação, mão-de-obra barata e polivalente é que não!"
                                                                                            Nelson Raleiras
                                                                             in BIT, SGS,nº10 de 2009.11.07 


Como vêem, os dois textos são esclarecedores e ajudam a entender a situação actual dos trabalhadores dos ex-Serviços Gerais de Saúde. Há uns meses atrás uma pessoa bem enfarinhada nas questões das carreiras profissionais alertou os trabalhadores para a necessidade de disponibilizarem-se para lutarem pela dignidade da carreira e sua regulamentação de uma vez por todas. Os Auxiliares de Acção Médica merecem o mesmo respeito e consideração que recebem os médicos e os enfermeiros. Afinal, fazem todos parte das equipas multidisciplinares que cuidam dos utentes nos estabelecimentos de saúde deste país.
 
      

24/11/09

VACINA DA GRIPE A: AUXILIARES DEVEM OU NÃO VACINAR-SE ?


   Diariamente se continua a falar da Gripe A e os meios de comunicação social inundam os nossos cérebros com notícias, por vezes, mais alarmantes do que verdadeiras. Está a processar-se a vacinação de muitas pessoas. O pessoal que trabalha a área da saúde tem sido chamado para ser vacinado. Os hospitais já estão a vacinar e conheço colegas auxiliares que já foram "picados" contra a gripe A.
   É ou não aconselhável que os Auxiliares de Acção Médica se vacinem?
   Há ou não perigo de que os profissionais de saúde não vacinados, poderem contaminar os doentes?
   Pelo que vou lendo nos jornais a ideia com que fico é a de que cada profissional deve tomar a atitude que a sua consciência lhe soprar. Há médicos e enfermeiros que não se vão vacinar e alguns escrevem as suas razões:
« Se não me vacino habitualmente para a outra ( a sazonal ) porque é que me vou vacinar para esta, que sei que não é mais grave? Acho que houve um alarmismo exagerado e um certo aproveitamento político. E se sobrassem metade das vacinas quem se vai responsabilizar por ter mandado para o lixo 22,5 milhões de doses no valor de 45milhões de euros?»
   Declarações ao Jornal Público de 24 de Novembro, feitas pelo Dr.Miguel Oliveira e Silva, presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida
  
   E o director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, Dr.António Vaz Carneiro, em entrevista também ao jornal Público de hoje diz isto:
   « o investimento na vacinação em grande escala não se justifica. A decisão da compra de milhões de doses foram meramente políticas. A posição da OMS é errada. Defendo apenas a vacinação de grupos de risco muito selectivos. Fundamentalmente porque acho que esta doença não tem gravidade suficiente que justifique a vacinação maciça. Entendo que, neste momento o impacto global da doença na população portuguesa, comparando com outras, não é tão importante como isso, então a despesa envolvida não se justifica. É só nesta altura que uso o argumento do dinheiro. Há quem calcule que o gasto ( todos os custos com a doença ) já ascende a 67 milhões de euros. Não é razoável. Então os portugueses continuam a morrer tranquilamente de doenças cardiovasculares e estamos todos preocupados com a gripe?»
   E o jornalista pergunta ao Dr.António Vaz Carneiro: Como é que compreende que a maior parte dos profissionais de saúde continue a não querer-se imunizar?
   Resposta do Dr.António Vaz Carneiro: O argumento de que os profissionais de saúde podem contagiar os doentes é muito falacioso. A percentagem de risco acrescido pode ser evitado, não com vacinação, mas sim com cuidados extra de higiene, com a lavagem das mãos, o uso de máscaras. Com as precauções devidas, a probabilidade extra de contágio é negligenciável.O que me preocupa são as infecções nosocomiais ( hospitalares )  provocadas por outros microorganismos. Mais, o pool de vírus não está no hospital, o pool de vírus está cá fora, na comunidade.»

   São duas opiniões de gente que tem competência para as dar. Eu, sou um humilde auxiliar interessado em ajudar outros colegas a sermos mais competentes e mais esclarecidos na área da saúde.