15/03/09

1ºCONGRESSO ASSISTENTE OPERACIONAL C.H.T.M.A.D.


Clicar nas imagens para ver melhor!

É o 1º de muitos. Tudo começa no início. Aqui fica a informação relativa a este 1ºCongresso dos Assistentes Operacionais deste Centro Hospitalar. Quem puder marque presença.


10/03/09

JORNADAS

III JORNADAS DA A.T.S.G.S ( ERMESINDE )

Programa



Ficha de inscrição:


08/03/09

XI CONGRESSO DOS AUXILIARES DE ACÇÃO MÉDICA DO NORTE

Ontem, 7 de Março de 2009, teve lugar no Fórum da Maia, o XI Congresso dos A.A.M. do Norte. Estiveram presentes mais de 800 profissionais vindos de norte a sul do país e também um grupo que veio dos Açores.
O tema para este encontro foi "Passado...Presente! Futuro?..."
O congresso, organizado pelo colega Fernando mereceu o aplauso de todos os presentes. Como de costume, iniciou-se com a Abertura Solene e durante todo o dia foram apresentados diversos trabalhos de informação e reflexão relacionados com a profissão dos Auxiliares de Acção Médica.



Abertura solene


O dia foi longo e mesmo assim as pessoas mostraram sempre interesse nos vários temas que foram dignamente apresentados. Ficámos a saber que os dirigentes da A.T.S.G.S sob a presidência do senhor António Pinto, vão ser recebidos pelo Ministério da Saúde. Com a ajuda da Dra. Ana Araújo e a teimosia dos dirigentes da associação, está para breve uma audição durante a qual os dirigentes da A.T.S.G.S. querem ser bem informados acerca do futuro dos Auxiliares de Acção Médica e dos trabalhadores dos ex-Serviços Gerais ( agora integrados como Assistentes Operacionais) e também vão fazer sentir aos responsáveis políticos da necessidade de esclarecer, de uma vez por todas, as funções que vão desempenhar os assistentes operacionais e solicitar a inclusão de outras tarefas que vamos desempenhando no nosso dia a dia, mas que nada há escrito. Ou seja, solicitar ao MS que escreva preto no branco as funções dos Assistentes Operacionais, sem esqueecer a especeficidade e a importância do nosso trabalho para a melhoria dos cuidados de saúde aos utentes que neecessitem de prestação de cuidados de saúde.

Dra.Ana Araújo
A dra.Ana Araújo teve a amabilidade de estar presente no nosso congresso. Mostrou-se espantada com o que pretendem fazer com os Auxiliares de Acção Médica. No seu entender, é inaceitável e estão a regredir em relação àquilo que ela tanto defendeu quando apresentou um trabalho que agora este governo revogou e pretende deitar ao lixo. Se as coisas não mudarem, os AAM passarão a pessoal indiferenciado. Mais, diz a Dra.Ana Araújo, que voltamos ao antes de Abril de 1974. É que as exigências futuras vão ser maiores, tanto ao nível de formação, como também ao nível de horas e condições de trabalho. Mas a verdade é que essas exigências, mesmo só agora introduzidas por pressão da UE, não são acompanhadas com direitos e remunerações compatíveis com essas mudanças.
De facto, os Auxiliares de Acção Médica, em Portugal rondam os 35.000 profissionais. Parecendo muitos, quem visitar os hospitais vereficará que ainda somos poucos e que trabalhamos como escravos. Trabalho não nos falta e muitas vezes o prémio não chega. Valemo-nos é dos afectos e carinhos que recebemos dos doentes e familiares. Quem está disposto a trabalhar num hospital, com horários contínuos que incluem sábados, domingos, feriados, noites, tardes e manhãs e correndo um sem número de riscos para a sua saúde e por isso recebe 483€ de salário base...com suplementos e subsídios de refeição não chega muitas vezes aos 700€ mensais??? Ai mãe...................


Procurando o rosto







O caro fez-se barato
Há muito para fazer. Há muito para aprender.
O meu desejo é que as coisas de facto mudem. Não podemos continuar como até aqui. É tempo de mostrar a nossa força e mostrar ao país que a nossa função, que o nosso trabalho melhorará na medida em que as leis nos ajudem a trabalhar com total transparência e reciprocidade.

06/03/09

AUXILIARES DE ACÇÃO MÉDICA EM CONGRESSO NA MAIA

Os Auxiliares de Acção Médica vão amanhã, dia 7 de Março, reunir-se em congresso a realizar no Fórum da Maia.
Estes encontros periódicos têm contribuido para o desenvolvimento e qualidade da nossa actividade profissional.A nossa função centra-se numa relação interpessoal e a formação devia ser uma constante na nossa vida. Todos reconhecem a importância da formação contínua dos auxiliares de acção médica. Mas na prática, os departamentos de formação onde trabalhamos deixam muitas vezes no esquecimento as nossas necessidades e os seus deveres de facultarem mais formação.
É tempo de os Auxiliares de Acção Médica se afirmrem como um grupo fundamental no servço nacional de saúde, em particular, nos hospitais.
Já que a formação não nos é facultada, resta-nos estes congressos. Tratam-se de encontros de profissionais que procuram melhorias para o desempenho das suas funções. E nada melhor que ouvir e partilhar as experiências vividas por colegas, por outros profissionais de saúde. E importante também nestes encontros, é o convívio e os conhecimentos que se obtêm durante o congresso.
Lá estarei amanhã.

05/03/09

A IMPORTÂNCIA DO NOME

Todos temos um nome próprio. Cada um de nós, quer goste ou não, esteja doente ou de boa saúde, é um ser humano com nome. Claro que não foi escolhido por nós e não contaram com a nossa opinião. E o nome vai identificar cada um de nós durante todo o tempo em que vivermos.
Quantos doentes dos hospitais são tratados pelo nome? Quantas vezes a pessoa doente não é chamada pelo número da cama que lhe coube na altura do seu internamento?
Nós, os profissionais dos serviços de saúde, não nos podemos esquecer que cada doente tem um nome como o nosso. Também ele gosta de ser chamado pelo seu nome.

24/02/09

HORAS DE TRABALHO






















Porque razão nos hospitais EPE os profissionais com Contratos Individuais de Trabalho cumprem um Horário de 40 horas semanais?

Todos os restantes profissionais, em particular, os auxiliares de acção médica, mas com vínculo à Função Pública, cumprem um horário de 35 horas semanais.

Ultimamente esta situação está a causar algum mal estar junto dos colegas. Os encarregados estão com dificuldades em elaborar os horários e as cargas horárias ( turnos de 6+6 ) estão por cumprir e estamos a ficar com horas negativas. Ou seja, se agora não fazemos essas cargas horárias, nos próximos meses vamos aguentar 6 ou mais por mês. Ou será que estão em stand by até que o serviço necessite de nós...como por exemplo, na altura de começarem as férias!? Trabalhar 40 horas semanais já é muito e começa a ser injusto ficar com horas em débito quando muitas vezes se sabe que é possível elaborar melhor os horártios dos serviços onde trabalhamos. O próprio nome "carga horária" não é nada agradável de ouvir, quanto mais de aceitar. Apesar do novo Códdigo do Trabalho estabelecer esta diferenciação de horários, eu penso que é injusta.

12/02/09

ASSISTENTES OPERACIONAIS

Isabel, Assistente Operacional






“Isabel presta todo o apoio necessário aos médicos, aos enfermeiros e aos doentes no piso 3 de internamento do Hospital. Como todos os doentes são diferentes, requerem uma abordagem distinta, pelo que o trabalho de Isabel passa também por entender as suas necessidades e as das respectivas famílias.
“É preciso que os doentes passem algo deles para o nosso lado, para que possam sentir-se tranquilos e para que possamos também dar-lhes a tranquilidade de que necessitam, e às vezes basta ouvir o que têm para dizer”.



Li estas palavras numa revista de informação do Grupo Espírito Santo Saúde.
Dá que pensar, não dá?

02/02/09

XI CONGRESSO AUXILIARES ACÇÃO MÉDICA DO NORTE, 7 MARÇO 2009


Para ver melhor clique na foto

Aqui está mais uma oportunidade de formação para os Auxiliares de Acção Médica. Basta ler o programa do congresso para os profissionais tomarem a decisão de participarem neste evento. A nossa profissão está a viver momentos de alguma incerteza quanto às nossas carreiras profissionais. Esta reunião pode contribuir para esclarecer dúvidas e também para nos dar informação segura sobre o nosso futuro. Nós, os auxiliares de acção médica, sabemos bem que somos necessários nos estabelecimentos de saúde e os outros podem não reconhecer a nossa importância no funcionamento normal das instituições onde trabalhamos. Mas quando os auxiliares faltam ao serviço, os outros profissionais sentem na pele a falta da nossa colaboração. Nós não somos indispensáveis e destes estão os cemitérios cheios. Trabalhamos integrados uma equipa multidisciplinar e não há que esconder a nossa importância. Até nos podem chamar de Assistentes Operacionais, pois, o importante é cuidarmos dos que de nós precisam. É para os doentes ( utentes ) que nós temos que nos voltar. Mas todos sentimos dia a dia, noite após noite que exercer a função de auxiliar de acção médica é uma tarefa que nos dignifica, nos enriquece e nos transforma. Um auxiliar de acção médica bem formado é um profissional bem informado, é um profissional que procura sempre aumentar os seus conhecimentos técnicos, partilha a sua experiência com outros colegas e nunca desiste de se valorizar. Estes congressos servem para isso. Venham ao XI congresso dos auxiliares de acção médica do norte. Estão todos convidados.

17/01/09

A SURPRESA DA NOITE




Viver a vida que não pedimos para viver, é a finalidade de todo o ser humano. Também sou dos que acredito que durante a nossa vida somos muitas vezes apanhados de surpresa. E algumas dessas surpresas nunca estamos preparados para as viver.

Fazemos planos para viajar e visitar a família, os amigos, enchemos o depósito do automóvel pois a viagem vai ser longa.Está tudo pronto para a viagem. Agora, mesmo sendo noite de Natal, há gente no hospital a quem eu tenho de atender, ouvir e ajudar a viver melhor esta noite Santa.

Duas horas depois de começar a trabalhar, o meu telemóvel toca. Atendo e ouço do outro lado isto:

"João, a tua mãe foi-se" ouvindo de seguida um choro sentido.

Foi a surpresa daquela noite. Foi a minha primeira grande surpresa.

Inesperado? Para mim, talvez sim, mas não para a minha mãe. Ela sempre me surpreendeu durante a sua vida.Lá, do lugar onde ela vive agora, continua a surpreender e a marcar aqueles que a conheceram.

A vida dos auxiliares de acção médica é por vezes cheia de incompreensões, de más interpretações e algumas vezes somos escravos dos nossos horários. Outras vezes, mesmo desejando e pedindo alterações, de nada nos vale o esforço e fica tudo como está. E por vezes, somos surpreendidos por 4 dias de descanso ou de feriados ou de tolerâncias que não pedimos...e só temos que compreender as interpretações dos que dizem mandar.

A vida do Auxiliar de Acção Médica é cheia de surpresas, como a de toda a gente.

15/01/09

ONDE ESTÁ A FAMÍLIA?

Há pessoas, doentes, que entram nos hospitais e demoram a sair. Quando escrevo “demoram a sair” refiro-me aos doentes mais idosos, que quando estão prestes a ter “alta” médica a família pura e simplesmente os abandona ou então esquecem-se que essa pessoa necessita de apoio, de ajuda, de atenção dos seus, dos amigos e a continuar a receber apoio médico e de ajudas técnicas.

Isto é uma realidade que acontece nos serviços de internamento dos hospitais portugueses e que muitos portugueses desconhecem. Não se trata de as famílias não possuírem condições económicas, porque estes casos, por incrível que possa parecer, surgem mais naquelas famílias com algumas posses ou com boa condição económica. E como abandonam eles os familiares? Claro que vão lá todos os dias visitar o(a) doente. O que não querem e inventam tudo para que a pessoa lá continue, desculpando-se com a não existência de sítio para o receber e tratar.

O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, Padre Lino Maia, revela que cada vez mais estão a receber pedidos de ajuda para lidar com esta realidade.

Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, admite que os médicos estão a ser pressionados pelas administrações dos respectivos hospitais para economizar os gastos e para libertar as camas que os idosos estão a ocupar.

Não há estatísticas, não se fala nos jornais ou nas televisões deste drama, deste flagelo. Mas é uma realidade que eu como Auxiliar de Acção Médica assisto no meu local de trabalho e por todo o hospital.



24/12/08

NATAL NO HOSPITAL


A GRANDIOSIDADE DO HOMEM
NÃO SE MEDE PELO BERÇO, MAS PELAS SUAS ACÇÕES.

FELIZ NATAL...BOAS FESTAS.



O verdadeiro Natal dos Hospitais é feito de muitas histórias tristes, que nem a aparente alegria despreocupada das prendas consegue esconder.

O Serviço de Medicina está, no dia 24 de Dezembro, repleto de "utentes". O tradicional despejo de Natal, geralmente invisível aos olhos da maioria, apresentava-se em todo o seu esplendor no internamento de medicina. Centenas de "velhotes" são todos os anos abandonados no Serviço de Urgência, sem vida de relação com o exterior, sem família. Perdão: com família desertora. Esta é a outra face do Natal.
Este é o verdadeiro Natal , ou antes, uma pequena amostra... amanhã passarei a noite a ouvir estas histórias num hospital do meu país enquanto noutro a duas dezenas de quilómetros a minha mãe recupera de um AVC.

A todos aqueles que trabalham nesta época natalícia e aos que por aqui vierem Votos de um Feliz Natal.

06/12/08

SER VOLUNTÁRIO NUM HOSPITAL


SER VOLUNTÁRIO


Ser Voluntário é ser mãos, é ser sorriso
É levar uma esperança e cada angústia,
É partilhar o que há de belo, o que há de bom
É repartir, sempre, o próprio coração!...
Bata amarela a esvoaçar se esconde,
A cor se esvai, mas fica a vossa bondade,

E um perfume a dizer a toda a gente
Que o Voluntário constrói humanidade.
Não há Gregos nem Troianos, nem Judeus,
Disse o Mestre, escutai sua lição:
Passai fazendo o bem e respeitando
Toda a pessoa como verdadeiro irmão.

Ser Voluntário é ser mãos, é ser sorriso,
É estar humilde aonde for preciso,
É enxugar lágrimas e levar a esperança,
Daqueles que sofrendo já pegaram
No pesado madeiro da sua cruz.
E era tão bom que ficasse o tal perfume
Para que o doente no meio do queixume
Se apercebesse que ali, passou Jesus…

Margarida Maria

Hoje celebrou-se o Dia Internacional do Voluntariado. Por todo o Mundo, há milhares de pessoas que, voluntariamente, dedicam uma parte do seu tempo, trabalho e dedicação a favor dos outros, em prol de uma causa. Neste dia, quero recordar de um modo particular, os Voluntários que diariamente ajudam os utentes do Hospital São João, no Porto.

04/12/08

DIFERENCIAÇÃO DAS CARREIRAS

Carreiras devem assegurar diferenciação, diz Ana Jorge


A ministra da Saúde disse hoje que a negociação das carreiras deverá atender às necessidades de diferenciação, como aliciante para que as pessoas se mantenham nas instituições, com perspectivas de carreira”.

Ana Jorge anunciou em Aveiro que ainda esta semana vai iniciar as negociações das carreiras com os sindicatos e as ordens profissionais, para «dignificar e recompensar quem tem uma dedicação plena ao serviço público».

«Vai iniciar-se a negociação das carreiras, quer da área médica quer de enfermagem quer, ainda, dos outros técnicos, que consideramos fundamental para dignificar e poder recompensar quem tem uma dedicação plena ao serviço público, para que tenham uma perspectiva de futuro do trabalho e da função que desempenham», comentou.

Para a ministra, «o ano de 2009 será o ano da discussão de carreiras e dos contratos colectivos de trabalho» que deverá atender às «necessidades de diferenciação e de qualificação profissional» como um dos aliciantes para que as pessoas se mantenham nas instituições por terem uma perspectiva de carreira.

Diário Digital / Lusa

14/11/08

OS BURACOS DA SAÚDE



O Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2007 escavou um buraco de 330,1 milhões de euros. É um buracão 87,5% mais fundo que as previsões dos engenheiros deste governo. E os hospitais do SNS devem 740 milhões de euros à indústria farmacêutica. Mais os 353 milhões de euros de dívida que os hospitais EPE têm à indústria farmacêutica. Mas que cratera na saúde, meu Deus!



E como se nada fosse com o Ministério da Saúde, através dos acessores ficámos a saber que "não foi uma derrapagem e que é perfeitamente normal haver uma diferença entre a previsão e o valor final".



É por estas e por outras coisas mais graves que a nossa saúde anda como anda. Portugal é o 26º país no Índice Europeu do Consumidor dos Serviços de Saúde, em 2008.



Quem chegou a esta conclusão foram uns senhores suecos. A Holanda lidera a lista com melhor resultado. Portugal é fortemente penalizado no item "direitos dos pacientes e informação, tendo obtido a segunda pior nota quanto ao tempo de espera.

13/11/08

II JORNADAS DA ATSGS-SUL

É já no próximo dia 29 de Novembro. Quem poder marcar presença ainda está a tempo.

31/10/08

PORQUÊ ?

"Acabava de lhe levar uma chávena de café com leite. Já estava melhor! Mas quando voltei à enfermaria, já tinha morrido"- disse o auxiliar de acção médica.
Porquê? Ainda era tão novo!
Cada dia, a cada momento, há pesoas que, no hospital, mergulhadas em profundo desespero, levam as mãos à cara e choram por um sofrimento inesquecível; choram, impotentes e desesperados, a morte inexorável.
Porquê o sofrimento?
Porquê a paralisia parcial ou total?
Porquê o cancro?
Porquê esse acidente que me vai impedir de voltar a andar?
Porquê morrer na primavera da vida?
Porquê?
Porquê? Quem me responde?
Quando penso nos mortos, na minha própria morte, no
sofrimento dos inocentes, sinto-me envolvido pelo mistério.
Posso intentar não pensar nisso, mentir aos outros ou a mim próprio.
Enquanto tiver cérebro e coração, este mistério há-de perseguir-me. Quando chegar a minha hora e eu próprio penetrar na noite do sofrimento e da morte, que me restará?

Espero poder rezar então,
gritando a Deus:

"Porque apagaste os sóis que Tú próprio acendeste?"

Sei que, com o coração, entenderei coisas que a minha inteligência
não me pode explicar.

Deus é amor.

Ele ama-me. Apoia-me.
Morrerei para viver para sempre num amor imortal.

Texto adaptado do livro "Amar", de Phil Bosmans, Ed.Perpétuo Socorro.

28/10/08

OS DOENTES E OS MEDICAMENTOS

Os jornais por vezes trazem para a opinião pública o problema dos doentes que morrem nos hospitais por erro na medicação que lhes foi administrada.
O Jornal de Notícias divulgou esta semana que a administração errada de medicamentos aos doentes hospitalizados é responsável pela morte anual de 7000 portugueses. Os erros sempre existiram e continuarão a existir. Até se diz que é com os erros que aprendemos. Estou de acordo, mas há diferentes graus de erros. E no hospital, o erro com medicamentos deve ser evitado e todos os profissionais que ali trabalham têm que saber e esforçar-se por não errar.
As notícias sobre erros na administração de medicamentos já não são só de agora.

O Sistema é culpado de tudo, até das mortes causadas administração errada dos medicamentos que os doentes hospitalizados tomam ou não tomam. Mas, o Sistema não é feito por humanos? O doente é que sofre as consequências do “sistema”.
Quando é que se assumem as responsabilidades de errar? Se errar é humano, porque não se assumem os erros? Desde o médico que escreve as receitas com letras que só ele entende, os farmacêuticos que enviam para os serviços do hospital, os enfermeiros que recebem e os que administram (ou deixam na mesinha de cabeceira), os auxiliares de acção médica, terminando nos familiares dos doentes, todos devíamos ter uma atitude mais responsável em relação aos medicamentos.

Diz a presidente da Associação Portuguesa dos Farmacêuticos Hospitalares ( APAH), Aida Baptista que “estes erros existirão sempre e sem culpados” pois “é o sistema que falha” e que “muitos erros destes são escondidos, por receio dos profissionais serem acusados.
Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, diz que “em Portugal não existe um registo fiável das causas de morte”. E diz também que “são feitos milhões de actos médicos por dia nos hospitais portugueses, é natural que se cometam alguns erros”.
Para já, o bastonário considera que "grave, grave" é a inexistência de "um registo fiável das causas de morte em Portugal", o que, segundo disse, deverá melhorar em breve, pois esta é uma área em que a Direcção-Geral da Saúde está a trabalhar.
Os profissionais da saúde trabalham com sentido de responsabilidade. Eu, como Auxiliar de Acção Médica, exerço as tarefas que me são atribuídas agindo sempre com uma atitude responsável e contribuindo para o bem do doente internado. Mas apesar de todos os cuidados, às vezes falho. Contudo, nunca até hoje, pelo menos que seja do meu conhecimento, enquanto auxiliar de acção médica, dei medicamentos errados aos doentes. Primeiro, porque eu não sou médico, nem sou farmacêutico e nem sou enfermeiro. E segundo, porque como auxiliar de acção médica, confio nas indicações que os médicos e os enfermeiros me transmitem sempre que me solicitam ajuda e colaboração para administrar um medicamento. Por isso, não entendo é que seja culpado o sistema por esse erro cometido, inconscientemente ou não, por um profissional de saúde. Porque é que cada um não assume as suas responsabilidades? O erro pode acontecer em qualquer fase do circuito que o medicamento faz até chegar ao doente. E como é registado esse circuito? Há ou não registos informáticos e/ou papel escrito desde o momento em que o médico prescreve o medicamento até que este seja administrado ao doente? Todo o doente tem um número assim que entra no hospital. Aí começa o registo que identifica esse doente e que o acompanhará até sair do hospital. No processo individual de cada doente é registado, ou pelo menos deve ser, todas as ocorrências relativas ao seu estado de saúde, à sua vida enquanto pessoa necessitada de cuidados de saúde no hospital onde entrou para ser socorrido. Portanto, consultar o processo de cada doente é uma forma de ajudar a detectar alguns erros e evitar males maiores para a pessoa em causa.

Denise Kühner e Álvaro Marques são dois profissionais de saúde. Ela Farmacêutica, Especialista em Análises Clínicas pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, Pós-Graduada em Farmácia Clínica Hospitalar pela Universidade Veiga de Almeida/RJ. Ele, Farmacêutico, Pós-Graduado em Farmácia Clínica Hospitalar pela Universidade Veiga de Almeida/RJ. Elaboraram um estudo sobre os erros com os medicamentos onde afirmam:

"Os erros podem ser classificados em erros de omissão (por excesso de doentes, excesso de medicamentos, mão-de-obra insuficiente, medicação não disponível, doente ausente para RX, TAC, ECOGRAFIA, por exemplo, transferência do doente para outro serviço dentro do hospital), dose sem autorização, dose errada, administração de medicação por via diferente da prescrita, administração de medicamento em velocidade diferente da prescrita), preparação errada da dose e diluição. Médicos que trabalham em regime de turnos não se familiarizam com os doentes. A identificação do doente chamando-o pelo nome também pode ser causa de erro, já que pacientes confusos podem responder afirmativamente quando um nome é pronunciado, mesmo que não seja o seu nome. Os médicos que escrevem com letra ilegível devem imprimir ou digitar as prescrições, se houver possibilidade, pois a prescrição manuscrita ilegível deve ser considerada erro potencial. As prescrições verbais ou pelo telefone devem ser reservadas somente para situações de emergência ou cirúrgicas, e as ordens devem ser ditas vagarosamente, claramente e de modo articulado. A transcrição de prescrições deve ser evitada o máximo possível e deve ser reconhecida como oportunidade primária de erros".

O jornal Archives of Internal Medicine publicou, em 9.9.2002, um estudo prospectivo de corte em 36 hospitais americanos, onde demonstra que, ainda hoje, os erros de medicamento mais comuns cometidos nas enfermarias pesquisadas são: erro de horário, de omissão, dose errada e administração de droga não autorizada. De forma geral, ocorreram erros em 19% das doses, sendo que 7% foram potencialmente perigosos. Nas 36 instituições, os erros mais comuns foram horário errado (43%), omissão (30%), dose errada (17%) e medicamento não autorizado (4%). Erros potencialmente perigosos, julgados pelo potencial de causar reações adversas, foram cometidos em 7% das doses, ou seja, mais de 40 erros por dia em um hospital de 300 leitos. Estas estatísticas colocam a questão de erros de medicamentos como a oitava causa de morte, acima do câncer de mama, Aids e acidentes.






Carro Unidose



O que acontece com a assistência à saúde que permite um número tão elevado de problemas relativos a medicamentos?



Os erros com os medicamentos não é um problema exclusivo de Portugal. Por exemplo, nos E.U.A., 44.000 a 98.000 doentes hospitalizados morrem todos os anos devido a um erro de medicação.



É de lamentar que em Portugal, nos estabelecimentos de saúde, como por exemplo, os hospitais, não invistam na formação de uma cultura de segurança, abrangendo todos os profissionais de saúde e não apenas aqueles profissionais que trabalham nas farmácias hospitalares.



A famosa letra ilegível dos médicos, que leva a milhares de erros de leitura de receitas todos os anos e de errada leitura pelos enfermeiros, em alguns hospitais do país, como por exemplo, o Hospital de São joão, no Porto, trocaram os papéis por sistemas computadorizados. Com isso, pretende-se diminuir os erros na prescrição de medicamentos.
Também a entrada em funcionamento da "unidose" veio ajudar à diminuição de erros com os medicamentos.



Do total de erros médicos que ocorrem nos hospitais norte-americanos, 61% estão relacionados à redação ilegível e a erros de transcrição. Um ponto decimal no lugar errado pode levar a sérias consequências - como a dose prescrita aumentar 10 vezes.



Contudo, a pesquisa revelou que mesmo com o sistema, há uma incidência de erro que não diminuiu: o da escolha do medicamento. Para tal, há sistemas que guiam os médicos no processo de prescrição, fazendo perguntas que podem ajudar a evitar erros deste tipo. Alguns inclusive possuem reconhecimento de voz.Actualmente, cerca de 9% dos hospitais nos EUA possuem a tecnologia e, a cada ano que passa, mais redes de saúde adoptam a aplicação, que leva de 12 a 36 meses para ser implantada.



A Organização Mundial de Saúde preconiza como aceitável a taxa de 7% de erro, vinculada ao preparo e administração dos medicamentos.























17/10/08

CUIDADOS PALIATIVOS SÃO UM DIREITO DE TODOS

Convencionou-se internacionalmente dedicar o mês de Outubro aos Cuidados Paliativos.
O que são os Cuidados Paliativos?
Quantos portugueses sabem que existem os Cuidados Paliativos e que são um direito que todos nós temos quando vivemos uma situação de doença incurável, progressiva e terminal?
Os cuidados paliativos não são apenas destinados aos doentes terminais ou muito velhos, mas sim para todos aqueles que sofrem destes tipos de doenças referidas atrás. É um direito dos doentes que apesar de ser um direito para todas as idades, muitos ainda pensam que só vai para os cuidados paliativos quem está para morrer. É um equívoco com consequências tremendas. Mais tarde ou mais cedo todos nós iremos necessitar de cuidados paliativos porque todos chegaremos fatalmente à fase de grande fragilidade do nosso corpo e da nossa mente e o sofrimento físico ou emocional pode e deve ser minimizado.
Nos E.U.A. e em alguns paises europeus, como na Inglaterra, as pessoas sabem e conhecem estes direitos. E quando necessitam de cuidados paliativos recorrem onde eles são prestados. Os doentes nestes países querem e desejam manter e potenciar a sua qualidade de vida quando ela está fragilizada. E sempre que a doença é grave, sem cura conhecida, tratam de ganhar a dignidade que estavam a perder.
Em Portugal há apenas 100 camas para os cuidados paliativos. É muito pouco para os milhões de portugueses que aqui vivemos. É chegada a hora de reinvindicar os nossos direitos aos cuidados paliativos. Se é um direito de cada um de nós, se existem falta de estabelecimentos, de profissionais, de camas, de recursos económicos é começar a exigir uma maior atenção para esta causa. Cuidados Paliativos não é um luxo mas um direito e uma necessidade humana.
Melhores e mais cuidados paliativos para os portugueses!

03/07/08

TRANSPORTE DE DOENTES













A irmã de um doente de 73 anos, que não anda sozinho, não fala claro e sofre de esquizofrenia, apresentou queixa no Livro de Reclamações de um Hospital do SNS. Reclamou porque os bombeiros lhe bateram à porta de casa, cerca das duas da manhã do dia 27 de Junho, para entregarem o seu irmão que tinha estado internado na unidade de saúde. Ficou espantada e estupefacta quando reparou que o irmão vinha embrulhado num lençol e mais nada.

O Presidente do Conselho de Administração diz que instaurou um processo de averiguações e vai aguardar pelas diligências para, mais tarde, poder aferir se houve ou não falhas na unidade de saúde, considerando ser necessário ouvit todos os intervenientes no facto e ficar a saber-se como é que um doente sai com alta do hospital naquelas condições.

Sou Auxiliar de Acção Médica e trabalho num serviço de medicina interna. Todos os dias há doentes que são internados e doentes que têm alta. Há procedimentos e regras que têm que ser executadas para que o doente possa ter alta e assim ir para sua casa, se for o caso, ou para onde os familiares ou as equipas de profissionais de saúde concluirem ser a melhor solução para o doente. Nunca presenciei a saída de doentes sem roupa e muito menos tão tarde.
A que horas terá tido alta médica? A que horas os bombeiros começaram o transporte? Quem colocou o doente na maca ou cadeira de rodas? São perguntas de cuja resposta muitas dúvidas ficam esclarecidas. Claro que não se tratam assim as pessoas quando têm alta hospitalar. Regra geral, os profissionais de saúde sabem como proceder. Mas que aconteceu algo anormal com o transporte desta pessoa, todos já sabemos que sim. Tenho a certeza que naquele hospital todos são humanos e conscientes do que estão a fazer.