13/11/08

II JORNADAS DA ATSGS-SUL

É já no próximo dia 29 de Novembro. Quem poder marcar presença ainda está a tempo.

31/10/08

PORQUÊ ?

"Acabava de lhe levar uma chávena de café com leite. Já estava melhor! Mas quando voltei à enfermaria, já tinha morrido"- disse o auxiliar de acção médica.
Porquê? Ainda era tão novo!
Cada dia, a cada momento, há pesoas que, no hospital, mergulhadas em profundo desespero, levam as mãos à cara e choram por um sofrimento inesquecível; choram, impotentes e desesperados, a morte inexorável.
Porquê o sofrimento?
Porquê a paralisia parcial ou total?
Porquê o cancro?
Porquê esse acidente que me vai impedir de voltar a andar?
Porquê morrer na primavera da vida?
Porquê?
Porquê? Quem me responde?
Quando penso nos mortos, na minha própria morte, no
sofrimento dos inocentes, sinto-me envolvido pelo mistério.
Posso intentar não pensar nisso, mentir aos outros ou a mim próprio.
Enquanto tiver cérebro e coração, este mistério há-de perseguir-me. Quando chegar a minha hora e eu próprio penetrar na noite do sofrimento e da morte, que me restará?

Espero poder rezar então,
gritando a Deus:

"Porque apagaste os sóis que Tú próprio acendeste?"

Sei que, com o coração, entenderei coisas que a minha inteligência
não me pode explicar.

Deus é amor.

Ele ama-me. Apoia-me.
Morrerei para viver para sempre num amor imortal.

Texto adaptado do livro "Amar", de Phil Bosmans, Ed.Perpétuo Socorro.

28/10/08

OS DOENTES E OS MEDICAMENTOS

Os jornais por vezes trazem para a opinião pública o problema dos doentes que morrem nos hospitais por erro na medicação que lhes foi administrada.
O Jornal de Notícias divulgou esta semana que a administração errada de medicamentos aos doentes hospitalizados é responsável pela morte anual de 7000 portugueses. Os erros sempre existiram e continuarão a existir. Até se diz que é com os erros que aprendemos. Estou de acordo, mas há diferentes graus de erros. E no hospital, o erro com medicamentos deve ser evitado e todos os profissionais que ali trabalham têm que saber e esforçar-se por não errar.
As notícias sobre erros na administração de medicamentos já não são só de agora.

O Sistema é culpado de tudo, até das mortes causadas administração errada dos medicamentos que os doentes hospitalizados tomam ou não tomam. Mas, o Sistema não é feito por humanos? O doente é que sofre as consequências do “sistema”.
Quando é que se assumem as responsabilidades de errar? Se errar é humano, porque não se assumem os erros? Desde o médico que escreve as receitas com letras que só ele entende, os farmacêuticos que enviam para os serviços do hospital, os enfermeiros que recebem e os que administram (ou deixam na mesinha de cabeceira), os auxiliares de acção médica, terminando nos familiares dos doentes, todos devíamos ter uma atitude mais responsável em relação aos medicamentos.

Diz a presidente da Associação Portuguesa dos Farmacêuticos Hospitalares ( APAH), Aida Baptista que “estes erros existirão sempre e sem culpados” pois “é o sistema que falha” e que “muitos erros destes são escondidos, por receio dos profissionais serem acusados.
Pedro Nunes, bastonário da Ordem dos Médicos, diz que “em Portugal não existe um registo fiável das causas de morte”. E diz também que “são feitos milhões de actos médicos por dia nos hospitais portugueses, é natural que se cometam alguns erros”.
Para já, o bastonário considera que "grave, grave" é a inexistência de "um registo fiável das causas de morte em Portugal", o que, segundo disse, deverá melhorar em breve, pois esta é uma área em que a Direcção-Geral da Saúde está a trabalhar.
Os profissionais da saúde trabalham com sentido de responsabilidade. Eu, como Auxiliar de Acção Médica, exerço as tarefas que me são atribuídas agindo sempre com uma atitude responsável e contribuindo para o bem do doente internado. Mas apesar de todos os cuidados, às vezes falho. Contudo, nunca até hoje, pelo menos que seja do meu conhecimento, enquanto auxiliar de acção médica, dei medicamentos errados aos doentes. Primeiro, porque eu não sou médico, nem sou farmacêutico e nem sou enfermeiro. E segundo, porque como auxiliar de acção médica, confio nas indicações que os médicos e os enfermeiros me transmitem sempre que me solicitam ajuda e colaboração para administrar um medicamento. Por isso, não entendo é que seja culpado o sistema por esse erro cometido, inconscientemente ou não, por um profissional de saúde. Porque é que cada um não assume as suas responsabilidades? O erro pode acontecer em qualquer fase do circuito que o medicamento faz até chegar ao doente. E como é registado esse circuito? Há ou não registos informáticos e/ou papel escrito desde o momento em que o médico prescreve o medicamento até que este seja administrado ao doente? Todo o doente tem um número assim que entra no hospital. Aí começa o registo que identifica esse doente e que o acompanhará até sair do hospital. No processo individual de cada doente é registado, ou pelo menos deve ser, todas as ocorrências relativas ao seu estado de saúde, à sua vida enquanto pessoa necessitada de cuidados de saúde no hospital onde entrou para ser socorrido. Portanto, consultar o processo de cada doente é uma forma de ajudar a detectar alguns erros e evitar males maiores para a pessoa em causa.

Denise Kühner e Álvaro Marques são dois profissionais de saúde. Ela Farmacêutica, Especialista em Análises Clínicas pela Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, Pós-Graduada em Farmácia Clínica Hospitalar pela Universidade Veiga de Almeida/RJ. Ele, Farmacêutico, Pós-Graduado em Farmácia Clínica Hospitalar pela Universidade Veiga de Almeida/RJ. Elaboraram um estudo sobre os erros com os medicamentos onde afirmam:

"Os erros podem ser classificados em erros de omissão (por excesso de doentes, excesso de medicamentos, mão-de-obra insuficiente, medicação não disponível, doente ausente para RX, TAC, ECOGRAFIA, por exemplo, transferência do doente para outro serviço dentro do hospital), dose sem autorização, dose errada, administração de medicação por via diferente da prescrita, administração de medicamento em velocidade diferente da prescrita), preparação errada da dose e diluição. Médicos que trabalham em regime de turnos não se familiarizam com os doentes. A identificação do doente chamando-o pelo nome também pode ser causa de erro, já que pacientes confusos podem responder afirmativamente quando um nome é pronunciado, mesmo que não seja o seu nome. Os médicos que escrevem com letra ilegível devem imprimir ou digitar as prescrições, se houver possibilidade, pois a prescrição manuscrita ilegível deve ser considerada erro potencial. As prescrições verbais ou pelo telefone devem ser reservadas somente para situações de emergência ou cirúrgicas, e as ordens devem ser ditas vagarosamente, claramente e de modo articulado. A transcrição de prescrições deve ser evitada o máximo possível e deve ser reconhecida como oportunidade primária de erros".

O jornal Archives of Internal Medicine publicou, em 9.9.2002, um estudo prospectivo de corte em 36 hospitais americanos, onde demonstra que, ainda hoje, os erros de medicamento mais comuns cometidos nas enfermarias pesquisadas são: erro de horário, de omissão, dose errada e administração de droga não autorizada. De forma geral, ocorreram erros em 19% das doses, sendo que 7% foram potencialmente perigosos. Nas 36 instituições, os erros mais comuns foram horário errado (43%), omissão (30%), dose errada (17%) e medicamento não autorizado (4%). Erros potencialmente perigosos, julgados pelo potencial de causar reações adversas, foram cometidos em 7% das doses, ou seja, mais de 40 erros por dia em um hospital de 300 leitos. Estas estatísticas colocam a questão de erros de medicamentos como a oitava causa de morte, acima do câncer de mama, Aids e acidentes.






Carro Unidose



O que acontece com a assistência à saúde que permite um número tão elevado de problemas relativos a medicamentos?



Os erros com os medicamentos não é um problema exclusivo de Portugal. Por exemplo, nos E.U.A., 44.000 a 98.000 doentes hospitalizados morrem todos os anos devido a um erro de medicação.



É de lamentar que em Portugal, nos estabelecimentos de saúde, como por exemplo, os hospitais, não invistam na formação de uma cultura de segurança, abrangendo todos os profissionais de saúde e não apenas aqueles profissionais que trabalham nas farmácias hospitalares.



A famosa letra ilegível dos médicos, que leva a milhares de erros de leitura de receitas todos os anos e de errada leitura pelos enfermeiros, em alguns hospitais do país, como por exemplo, o Hospital de São joão, no Porto, trocaram os papéis por sistemas computadorizados. Com isso, pretende-se diminuir os erros na prescrição de medicamentos.
Também a entrada em funcionamento da "unidose" veio ajudar à diminuição de erros com os medicamentos.



Do total de erros médicos que ocorrem nos hospitais norte-americanos, 61% estão relacionados à redação ilegível e a erros de transcrição. Um ponto decimal no lugar errado pode levar a sérias consequências - como a dose prescrita aumentar 10 vezes.



Contudo, a pesquisa revelou que mesmo com o sistema, há uma incidência de erro que não diminuiu: o da escolha do medicamento. Para tal, há sistemas que guiam os médicos no processo de prescrição, fazendo perguntas que podem ajudar a evitar erros deste tipo. Alguns inclusive possuem reconhecimento de voz.Actualmente, cerca de 9% dos hospitais nos EUA possuem a tecnologia e, a cada ano que passa, mais redes de saúde adoptam a aplicação, que leva de 12 a 36 meses para ser implantada.



A Organização Mundial de Saúde preconiza como aceitável a taxa de 7% de erro, vinculada ao preparo e administração dos medicamentos.























17/10/08

CUIDADOS PALIATIVOS SÃO UM DIREITO DE TODOS

Convencionou-se internacionalmente dedicar o mês de Outubro aos Cuidados Paliativos.
O que são os Cuidados Paliativos?
Quantos portugueses sabem que existem os Cuidados Paliativos e que são um direito que todos nós temos quando vivemos uma situação de doença incurável, progressiva e terminal?
Os cuidados paliativos não são apenas destinados aos doentes terminais ou muito velhos, mas sim para todos aqueles que sofrem destes tipos de doenças referidas atrás. É um direito dos doentes que apesar de ser um direito para todas as idades, muitos ainda pensam que só vai para os cuidados paliativos quem está para morrer. É um equívoco com consequências tremendas. Mais tarde ou mais cedo todos nós iremos necessitar de cuidados paliativos porque todos chegaremos fatalmente à fase de grande fragilidade do nosso corpo e da nossa mente e o sofrimento físico ou emocional pode e deve ser minimizado.
Nos E.U.A. e em alguns paises europeus, como na Inglaterra, as pessoas sabem e conhecem estes direitos. E quando necessitam de cuidados paliativos recorrem onde eles são prestados. Os doentes nestes países querem e desejam manter e potenciar a sua qualidade de vida quando ela está fragilizada. E sempre que a doença é grave, sem cura conhecida, tratam de ganhar a dignidade que estavam a perder.
Em Portugal há apenas 100 camas para os cuidados paliativos. É muito pouco para os milhões de portugueses que aqui vivemos. É chegada a hora de reinvindicar os nossos direitos aos cuidados paliativos. Se é um direito de cada um de nós, se existem falta de estabelecimentos, de profissionais, de camas, de recursos económicos é começar a exigir uma maior atenção para esta causa. Cuidados Paliativos não é um luxo mas um direito e uma necessidade humana.
Melhores e mais cuidados paliativos para os portugueses!

03/07/08

TRANSPORTE DE DOENTES













A irmã de um doente de 73 anos, que não anda sozinho, não fala claro e sofre de esquizofrenia, apresentou queixa no Livro de Reclamações de um Hospital do SNS. Reclamou porque os bombeiros lhe bateram à porta de casa, cerca das duas da manhã do dia 27 de Junho, para entregarem o seu irmão que tinha estado internado na unidade de saúde. Ficou espantada e estupefacta quando reparou que o irmão vinha embrulhado num lençol e mais nada.

O Presidente do Conselho de Administração diz que instaurou um processo de averiguações e vai aguardar pelas diligências para, mais tarde, poder aferir se houve ou não falhas na unidade de saúde, considerando ser necessário ouvit todos os intervenientes no facto e ficar a saber-se como é que um doente sai com alta do hospital naquelas condições.

Sou Auxiliar de Acção Médica e trabalho num serviço de medicina interna. Todos os dias há doentes que são internados e doentes que têm alta. Há procedimentos e regras que têm que ser executadas para que o doente possa ter alta e assim ir para sua casa, se for o caso, ou para onde os familiares ou as equipas de profissionais de saúde concluirem ser a melhor solução para o doente. Nunca presenciei a saída de doentes sem roupa e muito menos tão tarde.
A que horas terá tido alta médica? A que horas os bombeiros começaram o transporte? Quem colocou o doente na maca ou cadeira de rodas? São perguntas de cuja resposta muitas dúvidas ficam esclarecidas. Claro que não se tratam assim as pessoas quando têm alta hospitalar. Regra geral, os profissionais de saúde sabem como proceder. Mas que aconteceu algo anormal com o transporte desta pessoa, todos já sabemos que sim. Tenho a certeza que naquele hospital todos são humanos e conscientes do que estão a fazer.

12/06/08

SABEDORIA ÁRABE

Não digas tudo o que sabes

Não faças tudo o que podes.

Não acredites em tudo o que ouves

Não gastes tudo o que tens.

Porque:

Quem diz tudo o que sabe

Quem faz tudo o que pode

Quem acredita em tudo o que ouve

Quem gasta tudo o que tem.

Muitas vezes,

Diz o que não convém

Faz o que não deve

Julga o que não vê

Gasta o que não pode...

26/04/08

CRISTIANO RONALDO E AS AUXILIARES DE ACÇÃO MÉDICA

Nome: Nereida Gallardo
Idade: 24
Profissão: Auxiliar de Acção Médica num lar da 3ªIdade...
Hobby: Namorar com o Cristiano Ronaldo (dizem os jornais e revistas).

21/04/08

AUXILIARES DE ACÇÃO MÉDICA E ASSISTENTES OPERACIONAIS



"OS PROJECTOS DE “TABELA REMUNERATÓRIA ÚNICA” E DE “FUSÃO DE CARREIRAS” DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA : dois projectos sem consistência técnica e baseados no arbítrio

RESUMO DESTE ESTUDO
Mesmo antes de ter entregue aos sindicatos os projectos de decreto com as propostas de “Tabela remuneratória única” para Fusao e Tabelas na Admnistração Pública, opinião de a Adm. Pública e de fusão das carreiras, o governo divulgou as suas propostas através da comunicação social. E têm-se verificado diferenças, para pior, entre as propostas do governo divulgadas pela comunicação social e as que depois entrega aos sindicatos. Por ex., a tabela remuneratória dos “Técnicos Superiores” entregue pelo governo aos sindicatos é inferior entre 50 euros e 400 euros, nas posições remuneratórias mais elevadas, aos valores divulgados pelos media. Parece assim haver um claro propósito de manipulação da opinião pública.

O governo pretende “negociar” em duas reuniões (9 e 15 de Abril), portanto em apenas 4 horas, aquelas 2 propostas, o que mostra bem o que este governo entende por negociações. É necessário que os trabalhadores conheçam as consequências delas na sua vida futura. Este estudo tem como objectivo divulgar alguns dos aspectos mais importantes e graves dessas propostas.

As remunerações máximas e mínimas da última versão de “Tabela remuneratória única “ do governo para cada uma das novas carreiras são inferiores às remunerações máximas e mínimas das actuais carreiras que serão integradas em cada uma das novas carreiras, com excepção de Técnico Superior

Em relação a duas novas carreiras – Assistente Técnico e Assistente Operacional – as remunerações máximas actuais dos trabalhadores que vão ser integrados naquelas duas novas carreiras já são superiores aos valores máximos das novas carreiras. Assim, em relação à nova carreira de “Assistente Técnico”, cuja remuneração máxima é de 1.117,60 euros, já existe actualmente “Assistentes Administrativos” que ganham 1.124, 72 euros e “Técnicos Especialistas Principais” que também já auferem 1201 euros, portanto valores estes já superiores ao valor máximo da nova carreira – Assistente Técnico - que é apenas de 1.117,60 euros; em relação à nova carreira de “Assistente Operacional” cuja remuneração máxima é de 814,01 euros, já existem “Operários principais”, que é uma carreira que será extinta e integrada na de Assistente Operacional, que ganham 950,79 euros, portanto mais do que 814,01 euros, que é a remuneração máxima da nova categoria onde serão integrados. Em relação aos valores mínimos, ou seja , aos valores de entrada nas novas carreiras, é que se verifica, em relação a várias das actuais carreiras, uma diminuição significativa. Assim, em relação à carreira de Técnico Superior, a remuneração mais baixa de entrada, que era de 1.070,89 euros (a de estagiário) é diminuída para 967,47 euros; a remuneração de entrada de “Assistente Administrativo” e a do “Pessoal Técnico Profissional” mantém-se (663,89 euros). Mas em relação às actuais carreiras – Operário, Auxiliar Técnico, Motorista, Fiscal de Obras, Auxiliar Administrativa e Telefonista – verificam-se reduções significativas nas remunerações de entrada, pois a remuneração mínima da nova carreira – Assistente Operacional – onde todas aquelas são integradas - 426 euros- é inferior à remuneração mínima de todas as carreiras de Pessoal auxiliar com excepção apenas do “Pessoal de limpeza” em que o valor é igual.

Uma rápida comparação entre as actuais carreiras e as novas carreiras, mostra que o enquadramento feito não tem como base um estudo técnico sério e profundo, baseando-se no puro arbítrio. Por ex., a nível da carreira de Técnico Superior qual é a equiparação a nível de requisitos, de competências e de funções, por ex. entre um consultor jurídico, um consultor económico, um consultor informático, um engenheiro e um técnico de contabilidade, ou de de formação profissional que são “encaixados” pelo governo na mesma carreira de Técnico Superior? E entre um administrativo, um desenhador, e um técnico de ambiente que são integrados pelo governo na nova carreira de “Assistente Técnico” ? E entre um operário altamente qualificado (por ex., electricista), um motorista e uma auxiliar de limpeza que são enquadrados pelo governo na nova carreira de “Assistente Operacional”? Para além disso, 253 categorias não são enquadrados ficando penduradas o que poderá determinar a curto/media a colocação dos trabalhadores que estão actualmente nelas na SME. Os comentários parecem desnecessários perante o absurdo destas fusões.

Para terminar, há um aspecto para o qual é importante chamar já a atenção dos trabalhadores, pois podem-se gerar falsas expectativas e ilusões. E esse aspecto é o seguinte: alguns trabalhadores, pelo facto de serem enquadrados numa carreira, cujo valor máximo é muito superior ao máximo que actualmente podem atingir (ex. auxiliares de limpeza e serventes cujo remuneração máxima actual é de 630,52 euros, são integrados na nova carreira de “Assistente Operacional” cuja remuneração máxima é de 814,01 euros) poderão pensar que depois terão possibilidade de vir auferir essa remuneração máxima. A mesma ilusão se poderá colocar em relação às restantes carreiras. Isso certamente não sucederá pois a nova situação será de congelamento de facto durante muitos anos.

O governo pretende “negociar” em apenas duas reuniões – dias 9 e 15 de Abril de 2008 –, portanto, em apenas 4 horas, os projectos de lei de “Tabela remuneratória única” para a Administração Pública e o projecto de fusão de carreiras, o que mostra bem o tipo de “negociação” que pretende. Estes projectos, se forem aprovados e publicados, vão ter consequências graves para todos os trabalhadores da Administração Pública como vamos mostrar. É urgente que cada trabalhador o análise na parte que terá reflexos na sua vida, nomeadamente na sua carreira e na sua remuneração futura e que, apesar do tempo ser muito reduzido, envie a sua opinião ao seu sindicato, ou então que envie para o nosso endereço electrónico que se encontra no fim deste artigo. Todas as opiniões são necessárias e úteis. Este nosso estudo, ao analisar alguns dos aspectos mais importantes dos projectos do governo, tem fundamentalmente como objectivo facilitar e contribuir para essa reflexão e participação colectiva. As versões iniciais dos projectos, que já são suficientemente esclarecedoras, qualquer trabalhador poderá obtê-las, através da Internet, no “site” www.dgap.gov.pt. No entanto, os sindicatos, no caso de já existirem versões mais actualizados, poderão disponibilizá-las.

O governo já apresentou duas versões do projecto sobre a “Tabela remuneratória única”, a segunda pior que a primeira, pois baixa os valores das remunerações da carreira de Técnico Superior como iremos mostrar. Em relação à fusão de carreiras, o governo apresentou aos sindicatos um projecto de lei, com base no qual pretende impor a integração/fusão de 1669 carreiras e categorias do regime geral em apenas três carreiras. E esta fusão é feita sem qualquer fundamentação técnica, portanto é realizada de uma forma arbitrária. A confirmar isso, está o facto que, embora o nº3 do artº 3º e o nº 3 do artº 7º da Lei 23/98, estabeleçam que o governo tem de entregar aos sindicatos o estudo técnico que fundamente as suas propostas, até esta data ainda não entregou apesar de ter sido já solicitado.

EM APENAS 23 DIAS, E ANTES DO INICIO DAS “NEGOCIAÇÕES”, O GOVERNO ALTEROU, PARA PIOR, O SEU PROJECTO DE TABELA REMUNERATÓRIA ÚNICA PARA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Há pouco mais de três semanas, mesmo antes de ter entregue aos sindicatos, o governo divulgou, através dos órgãos de comunicação social, o seu projecto de “Tabela remuneratória única” para a Administração Pública. Com base nesse documento, muitos jornais escreveram que a tabela do governo determinaria remunerações mais elevadas do que as actuais para os técnicos superiores (ex.: DN de 6.3.2008). Em 28.3.2008, o governo enviou aos sindicatos um projecto de decreto-lei de “Tabela remuneratória única”, em que as remunerações mais elevadas da carreira de “Técnico superior” são já significativamente inferiores às que, poucos dias antes, o governo tinha divulgado através dos media, como mostra o quadro que a seguir se apresenta.

QUADRO I – Tabela remuneratórias do Técnico Superior de 5.3.2008 e de 28.3.2008 do governo
TABELA DE 5.3.2008 TABELA DE 28.3.2008 DIFERENÇA ENTRE
Posição remuneratória Remuneração Posição remuneratória Remuneração Tabela de 28.3.2008 e Tabela de 5.3.2008
11ª 967,47 € 11ª 967,47 € 0,00 €
15ª 1.167,64 € 15ª 1.167,64 € 0,00 €
19ª 1.367,80 € 19ª 1.367,80 € 0,00 €
23ª 1.567,87 € 23ª 1.567,87 € 0,00 €
27ª 1.768,13 € 27ª 1.768,13 € 0,00 €
31ª 1.968,30 € 31ª 1.968,30 € 0,00 €
35ª 2.168,74 € 35ª 2.168,74 € 0,00 €
39ª 2.368,63 € 39ª 2.368,63 € 0,00 €
43ª 2.568,80 € 42ª 2.518,77 € -50,03 €
47ª 2.768,96 € 45ª 2.668,89 € -100,07 €
51ª 2.969,13 € 48ª 2.819,02 € -150,11 €
55ª 3.169,30 € 51ª 2.969,14 € -200,16 €
59ª 3.369,46 € 53ª 3.069,23 € -300,23 €
63ª 3.569,03 € 55ª 3.169,31 € -399,72 €

O governo diminuiu as remunerações referentes a seis posições remuneratórias da “Tabela remuneratória única” relativa à carreira de “Técnico superior” entre 50 euros e 400 euros. Esta alteração, em apenas três semanas, prova também que o governo não estuda de uma forma profunda as suas propostas reforçando a ideia da sua falta de consistência técnica. Ou será que o objectivo da tabela que o governo divulgou no inicio do mês de Março, através da comunicação social, era precisamente o de manipular a opinião pública? Mesmo que tenha sido esse objectivo, tal facto reforça também a falta de rigor e de seriedade do governo nesta matéria.

OS VALORES MÁXIMOS E MINIMOS DA NOVA TABELA REMUNERATÓRIA SÃO INFERIORES A MUITAS DAS REMUNERAÇÃO MÁXIMAS E MINIMAS RECEBIDAS ACTUALMENTE PELOS TRABALHADORES

Como mostram os dados constantes do quadro seguinte, se se excluir as chefias, os valores máximos e mínimos constantes da última versão de “Tabela remuneratória única “ para cada uma das novas carreiras são inferiores aos valores máximos e mínimos das remunerações actuais dos trabalhadores que vão ser integrados em cada uma das novas carreiras.

QUADRO II –Remunerações máximas e mínimas do novo sistema e do actual sistema
O NOVO SISTEMA DO GOVERNO DE SÓCRATES - Sem Posições Transitórias SISTEMA ACTUAL
CARREIRA Categoria Remune- ração TABELA ÚNICA CARREIRA Remune- ração Categoria Remune- ração
PR Remune- ração
TECNICO SUPERIOR Técnico Superior Máxima 55ª 3.169,31 Euros TECNICO SUPERIOR Máxima Assessor Principal 3.002,49 €
Mínima Estagiário 1.070,89 €
Mínima 11ª 967,47
Euros TECNICO REGIME GERAL Máxima Tec. Esp. Principal 2.168,47 €
Mínima Estagiário 740,61 €
ASISTENTE TECNICO Assistente Técnico Máxima 14ª 1.117,60 Euros PESSOAL ADMINIS- TRATIVO Máxima Asistente Admi- nistrativo Espec. 1.124,72 €
Mínima Assistente Admi- nistrativo 663,89 €
Mínima 5ª 663,89
Euros PESSOAL TECNICO PROFISSIONAL Máxima Tec. Esp. Principal 1.201,00 €
Mínima Tec.Prof. 2ª classe 663,89 €
ASSISTEN- TE OPERA- CIONAL Assistente Operacional Máxima 8ª 814,01 € OPERÁRIO Máxima Alt. Qual. Principal 950,79 €
Mínima Oper./Ajudante 777€/430€
PESSOAL AUXILIAR Máxima Auxiliar técnico 830,69 €
Mínima Auxiliar técnico 633,88 €
Máxima Motorista 864,05 €
Mínima Motorista ligeiro 473,73 €
Máxima Fiscal Obras 830,69 €
Mínima Fiscal Obras 503,75 €
Máxima Aux.Administrat. 713,93 €
Mínima Aux. Administrat. 427,02 €
Máxima Auxilair limpeza 630,52 €
Mínima 1ª 426,00 € Mínima Auxiliar limpeza 426,00 €
FONTE : Projecto de decreto “Tabela remuneratória única” , disponível em www.dgap.gov.pt

Exceptuando a carreira de Técnico Superior, em relação às outras duas novas carreiras – Assistente Técnico e Assistente Operacional – as remunerações máximas actuais dos trabalhadores que vão ser integrados nestas duas novas carreiras já são superiores aos valores máximos das novas carreiras. Assim, já existem actualmente “Assistentes Administrativos” que ganham 1.124, 72 euros e “Técnicos Especialistas Principais” que também já auferem 1201 euros que vão ser integrados na nova carreira de “Assistente Técnico”, cuja remuneração máxima é apenas de 1.117,60 euros, portanto um valor inferior aos daquelas duas. Em relação à nova carreira de “Assistente Operacional” cuja remuneração máxima é de 814,01 euros, já existem actualmente “Operários principais”, que é uma carreira que será extinta e integrada na de Assistente Operacional, que ganham 950,79 euros, ou seja, mais 136,78 euros do que o valor máximo da nova carreira onde serão integrados. Mesmo em relação à carreira de Técnico Superior, e como mostram os dados do quadro, a diferença entre a remuneração máxima da nova carreira e da carreira actual é de apenas de cerca 167 euros.

Perante o escândalo que era os valores máximos das novas carreiras serem inferiores aos valores máximos das actuais carreiras que serão integradas naquelas, o governo criou aquilo a que chamou “posições remuneratórias transitórias” , cujos valores de remunerações são praticamente iguais aos valores máximos das actuais carreiras, e que desaparecerão no futuro (é por isso, que se chamam transitórios), não sendo seguro que outros trabalhadores, para além daqueles que já auferem actualmente esses valores máximos, os venham a receber no futuro como sucederia se as actuais carreiras se mantivessem (ver o nosso estudo anterior “O GOVERNO PRETENDE ACABAR COM AS CARREIRAS”).

Em relação aos valores mínimos, ou seja , aos valores de entrada nas novas carreiras, é que se verificam reduções significativas relativamente à maior parte das actuais carreiras. Assim, em relação à carreira de Técnico Superior, a remuneração mais baixa de entrada, que era de 1.070,89 euros (a de estagiário) é diminuída para 967,47 euros; a de “Assistente Administrativo” e a do “Pessoal Técnico Profissional”, cuja remuneração de entrada é actualmente de 663,89 euros é que se mantém, pois é igual à remuneração mínima da nova carreira onde são integrados (Assistente Operacional). Em relação às actuais carreiras – Operário, Auxiliar Técnico, Motorista, Fiscal de Obras, Auxiliar Administrativa e Telefonista – registam-se diminuições significativas nas remunerações de entrada, pois a remuneração mínima da nova carreira – Assistente Operacional – onde todas aquelas são integradas é a do actual “Auxiliar de Limpeza /servente – apenas 426 euros – que é inferior à de todas as outras actuais carreiras de Pessoal auxiliar. Portanto, no campo remuneratório, e relativamente a todos estes trabalhadores verifica-se um importante retrocesso o que determinará naturalmente uma fuga relativamente a estes empregos na Administração Pública com consequências negativas quer em relação ao funcionamento dos serviços quer em termos de custos pois o Estado será obrigado a recorrer a empresas privadas em sistema de “outsourcing”, portanto com custos muito mais elevados.

O ARBITRIO E A FALTA DE CONSISTÊNCIA TECNICA NA FUSÃO DAS ACTUAIS 1669 CARREIRAS EM APENAS TRÊS CARREIRAS

Uma rápida comparação entre as actuais carreiras e as novas carreiras, que o governo pretende fundir em cada uma das novas carreiras, mostra rapidamente que o enquadramento feito não tem como base um estudo técnico sério e profundo, baseando-se no puro arbítrio. E isto apesar de afectar centenas de milhares de trabalhadores da Administração Pública. O quadro seguinte mostra isso rapidamente.

QUADRO III – Fusão das actuais carreiras nas novas carreiras de acordo com o projecto de decreto do governo
NOVO SISTEMA ACTUAL SISTEMA - Algumas das carreiras actuais incluídas nas novas carreiras
CARREIRA Categoria
TECNICO SUPERIOR MAPA I Técnico Superior Remuneração entre 967,47€ e 3169,31€ Actuário, advogado, arquitecto, assessor, chefe repartição, conselheiro de orientação profissional, consultor, consultor informática, consultor jurídico, economista, engenheiros, engenheiros técnicos, médico, investigador, pessoal técnico, técnico finanças, técnicos (de muitas áreas, incluindo contabilista e de contabilidade, de formação profissional, de secretariado), técnicos superiores (de muitas áreas distintas), etc.

ASSISTENTE TECNICO MAPA III Assistente Técnico Remunera- ção entre 663,89€ e 1117,60€ Administrativo(a), agentes, agentes técnicos (muitas áreas), animador, assistentes (muitas áreas) , apoios (muitas áreas), auxiliar e chefe de contabilidade, chefes de secretaria, chefe serviço (várias áreas), conferencista, chefe vendas, técnico finanças, decorador, desenhadores, director museu e estabelecimento, educador, fiscais (várias áreas), fotógrafos, guias, impressor, monitores, operadores (muitas áreas diferentes), orçamentista, provador, recepcionistas, secretária (incluindo a do director), secretariado, técnicos administrativos, técnicos auxiliares (muitas áreas diferentes) , técnicos (muitas áreas, incluindo ambiente, técnico de emprego, etc.), técnicos profissionais (muitas áreas diferentes), tesoureiro, tradutor, topógrafo, vendedor, vigilante-recepcionista, visitador

ASSISTENTE OPERACIONAL MAPA VI Assistente operacional Remunera- ção entre 426€ e 814,01€ Agentes (educação familiar, sanitários), agentes técnicos, ajudantes (múltiplas áreas) , arquivista, auxiliares (muitas áreas diferentes, incluindo administrativo , acção médica, educação, enfermagem, cozinha, limpeza), auxiliares técnicos , bombeiro, caixa, carpinteiro, chefe de armazém, classificador, condutores, continuo, contramestre, correio, cozinheiros ( incluindo cozinheiro-chefe), despenseiros, electricistas, empregados(as) (de muitas áreas), empregado auxiliar, fiel auxiliar, fiel de armazém, fiel, fiscais, fotógrafos, guardas, jardineiro, maquinistas, mestres, mecânico-chefe, monitores (escolar, de saúde), motoristas, operadores ( muitas áreas), operários (muitas áreas, incluindo agrícola e frezador), porteiro, praticantes, revisores, serventes, telefonista, técnicos de serviços e obras, trabalhador agrícola e rural, tractorista,tradutor, tratador, vigilantes, visitador (a), viveirista etc..

CARREIRAS QUE FICARAM PENDURADAS (não foram incluídas nas novas carreiras 253 carreiras/categorias actuais. Os trabalhadores destas carreiras poderão serem colocados a curto/médio prazo na SME) MAPA VII Adjunto administrativo e de administração, adjunto de serviços (várias áreas, incluindo de director; administrador), agente de métodos, ajudantes (várias áreas), assistentes( acção educativa, de investigação, etc.) bombeiro aeroporto, capataz, chefe de armazém, chefe de contabilidade, chefe de cozinha, chefe de departamento, chefe de mesa, chefe de oficinas, chefe de secretaria, chefe de sector comercial, controlador-coordenador, coordenadores (várias áreas), delegados, director de serviço clínico, educador de infância, encarregados (muitas áreas), enfermeiros, farmacêutico, gerente, guarda florestal, inspectores, medico de clínica geral e escolar, monitor formação profissional, odontologista, parteira, professores incluindo auxiliar, regentes, técnicos (vária áreas, incluindo contabilista, auxiliares, de emprego), tesoureiro-chefe, etc..

FONTE : Projecto decreto de fusão de carreiras , disponível em www.dgap.gov.pt

Para tirar alguns conclusões importantes, basta analisar, comparando com um mínimo de atenção algumas das profissões das actuais 1669 carreiras/categorias que o governo pretende encaixar/fundir em cada uma das três novas carreiras (Técnico Superior, Assistente Técnico e Assistente Operacional). É evidente que muitas das carreiras/categorias que o governo pretende encaixar numa das novas carreiras exigem competências e realizam funções completamente diferentes. Por ex., a nível da carreira de Técnico Superior qual é a equiparação a nível de requisitos, de competências de funções, por ex. entre um consultor jurídico, um consultor económico, um consultor informático, e um engenheiro e um técnico de contabilidade, ou de formação profissional ou de um técnico de secretariado, todos eles “encaixados” pelo governo na carreira de Técnico Superior? E entre um administrativo, um desenhador, e um técnico de ambiente que são integrados pelo governo na nova carreira de “Assistente Técnico” ? E entre um operário altamente qualificado (por ex., um electricista), um motorista e uma auxiliar de limpeza que são enquadrados pelo governo na nova carreira de “Assistente Operacional”? Os comentários parecem desnecessários perante o absurdo, sob o ponto de vista técnico, destas equiparações e fusões.

Finalmente, interessa ainda referir um aspecto importante e grave que não deverá ser esquecido. Duzentas cinquenta três carreiras/ profissões, as que constam no Mapa VII da proposta do governo não são integradas em qualquer uma das três novas carreiras, ficando “penduradas”. Isto significa que os trabalhadores que se encontrem actualmente nessas carreiras poderão ser colocados a curto/médio prazo na Situação de Mobilidade Especial (SME).

UMA ILUSÃO QUE É FUNDAMENTAL SER ESCLARECIDA PARA NÃO CRIAR FALSAS EXPECTATIVAS

Há um aspecto para o qual é importante chamar já também a atenção dos trabalhadores, pois podem-se gerar falsas expectativas e ilusões. E esse aspecto é o seguinte. Alguns trabalhadores, pelo facto de serem enquadrados numa carreira, cujo valor máximo é muito superior ao máximo que actualmente podem atingir (ex. auxiliar de limpeza cujo remuneração máxima actual é de 630,52 euros, são integrados na nova carreira de “Assistente Operacional” cuja remuneração máxima é de 814,01 euros) poderão pensar que depois terão possibilidade de vir auferir essa remuneração máxima. A mesma ilusão se poderá colocar em relação às restantes carreiras. Isso certamente nunca sucederá. A mudança de uma posição remuneratória para outra mais elevada tornar-se-á muito difícil e demorada com a nova Lei de Vínculos, Carreiras e Remunerações (Lei 12-A/2008), pois passa a depender do arbítrio do dirigente máximo e da existência de disponibilidade orçamental, o que para a esmagadora maioria dos trabalhadores da Administração Pública representará o congelamento de facto da sua carreira por muitos anos. Mesmo a alteração obrigatória de posição remuneratória desde que o trabalhador some 10 pontos, mesmo com essa norma o congelamento de facto a nível remunerações será muito longo. Para concluir isso, basta ter presente que cerca de 75% dos trabalhadores da Administração Pública necessitarão, pelo menos de dez anos, para somar 10 pontos para poderem mudar de posição remuneratória, o que significa que durante a maior parte da sua carreira a esmagadora maioria dos trabalhadores terão, de facto, a sua carreira remuneratória congelada. O que acontecerá se o governo conseguir impor a passagem das actuais carreiras para as novas carreiras é o seguinte:- Os trabalhadores continuarão a receber o que recebiam; os únicos aumentos que terão são os que resultarão da actualização anual das remunerações que têm sido inferiores à taxa de inflação, o que tem determinado que, nos últimos anos, tenham perdido poder de compra; e de 10 em 10 anos, na melhor das hipótese, então poderão ter uma mudança de apenas uma posição remuneratória.

O ATAQUE À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E AOS SEUS TRABALHADORES JÁ ESTÁ A AFECTAR TODOS OS PORTUGUESES

O ataque à Administração Pública, aos direitos e condições de trabalho e de vida dos seus trabalhadores que este governo está a levar a cabo vai ter, ou melhor já está a ter consequências graves quer nos serviços públicos essenciais prestados à população (ex.: saúde, educação, segurança social, etc.) quer na qualidade desses mesmo serviços, pois está a determinar ou a desmotivação geral ou a saída da Administração Pública dos melhores profissionais. A própria ministra da Saúde deste governo, na entrevista que deu ao Diário de Noticias e à TSF, divulgada também no Público de 6.4.2008, foi obrigada a “considerar muito preocupante a fuga de profissionais do sector público para o privado”. Se este ataque do governo continuar é de prever que a prazo quem “quiser saúde ou educação em Portugal terá de pagar”, ou seja, será apenas para os que têm meios financeiros e deixarão de ser um serviço cujo acesso, de acordo com a Constituição, o Estado deverá garantir a todos os portugueses."

Eugénio Rosa
Economista
Edr@mail.telepac.pt
5.4.2008

Artigo publicado in www.va.vidasalternativas.com, a 6 de Abril, 2008

17/04/08

AS AVALIAÇÕES DOS AUXILIARES DE ACÇÃO MÉDICA


Dirigentes que avaliem mal podem ser suspensos

O Governo vai reforçar as penalizações das chefias que não avaliem correctamente os funcionários públicos ou que falsifiquem as datas do processo de avaliação. Esta foi uma das alterações que o secretário de Estado João Figueiredo aceitou incluir no novo estatuto disciplinar dos funcionários públicos, e que levou os sindicatos da UGT a dar luz verde ao diploma na passada sexta-feira.

Na lista das infracções punidas com pena de suspensão (até 90 dias no máximo) passa a figurar a violação dos procedimentos da avaliação do desempenho, "incluindo a aposição de datas sem correspondência com o momento em que são apostas". Desta forma, o Governo pretende garantir que a definição de objectivos e a avaliação são feitas no início de cada ano e minimizar os efeitos da pena de demissão por mau desempenho, uma das medidas mais polémicas do estatuto disciplinar e que se manterá.
Fonte Jornal de Negócios, edição de 7 de Abril de 2008. Ligação para a notícia (aqui)

07/04/08

A SAÚDE NO MUNDO



DIA
MUNDIAL DA SAÚDE




O Dia Mundial da Saúde é hoje celebrado em todo o mundo. Este dia é aproveitado pela OMS(Organização Mundial da Saúde) para chamar a atenção para um aspecto chave global escolhido anualmente.
Para este ano de 2008 o tema escolhido - "A protecção da saúde face às alterações climáticas".
Todos falamos e os mais sábios têm reconhecido que as alterações climáticas passaram a ser uma crescente ameaça para a saúde mundial. Estas alterações têm afectado as pessoas, o ambiente e todos os seres vivos do nosso planeta.
A colaboração cada vez maior e as novas tecnologias vieram contribuir para que as pessoas estejam cada vez melhor preparadas para enfrentar os problemas de saúde relacionados com as alterações climáticas. São exemplos desse melhor conhecimento e dessa melhor preparação e preocupação, os reforços de vigilância, o controlo mais apertado das doenças infecciosas e o uso mais seguro dos abastecimentos da água às populações em situações de emergência.
Em Portugal, o Dr. Fernando Pádua, cardiologista de renome mundial, vai ser reconhecido pelo trabalho que tem desenvolvido na área da saúde. Bem merece o Prémio Nacional de Saúde 2007.


04/04/08

AUXILIAR DE ACÇÃO MÉDICA EM CONGRESSO

X CONGRESSO DOS AUXILIARES
DE ACÇÃO MÉDICA DO NORTE
FÓRUM DA MAIA 05 DE ABRIL DE 2008

02/04/08

DEUS NOS LIVRE DESTES AVALIADORES


A avaliação deve transformar-se numa oportunidade de dar gargalhadas, em alto e bom som, quando falarmos com os avaliadores e relembrármos as cenas mais divertidas que aconteceram durante o ano de trabalho.Vai ser muita giro!!!!!!!!!!!!!!!!

A IMPORTÂNCIA DO DESEMPENHO


Uma pequena diferença no desempenho pode provocar uma grande mudança na avaliação de desempenho. Muitas pequenas diferenças no desempenho diário da nossa tarefa de auxiliar de acção médica, podem transformar-nos em excelentes auxiliares de acção médica.

AVALIAR O DESEMPENHO DOS AUXILIARES DE ACÇÃO MÉDICA


A avaliação de desempenho deve servir para melhorar a perfomance individual e colectiva dos Auxiliares de Acção Médica e do Serviço onde trabalham. A avaliação de desempenho deve servir para recompensar quem realmente merece e motivar e ajudar todos os auxiliares a encontar formas de maior eficiência e profissionalismo.
A avaliação de desempenho deve ter objectivos pedagógicos e não transformar-se num ficheiro para armazenar os defeitos e os erros dos auxiliares. Durante o decorrer das avaliações as tensões entre auxiliares e avaliadores ( encarregados) e até entre os próprios colegas devem ser evitadas e todos devemos transformar esses momentos em oportunidades para ouvir e reflectir sobre as queixas e as sugestões de ambos os lados e não apenas de submetermo-nos às opiniões daqueles que nos avaliam.
Todos devemos entender que a avaliação de desempenho é uma das poderosas ferramentas para a gestão de recursos humanos.
O seu objectivo é melhorar os resultados, ajudando os auxiliares de acção médica a atingir níveis de desempenho mais elevados. Ao mesmo tempo, a informação recolhida pelos encarregados devia ser uma fonte de informação útil para desenvolvimento profissional e pessoal do auxiliar de acção médica.

Circular Normativa nº6 de 07/12/2004
Quem avalia os Auxiliares de Acção Médica? Os chefes de serviço ou os encarregados de sector?
São os encarregados de sector, por força do disposto no Decreto-Lei nº 231/92 de 21 de Outubro ( diploma que regula as carreiras profissionais do pessoal dos serviços gerais dos estabelecimentos e serviços dependentes do Ministério da Saúde, e na qual se insere (inseria, digo eu) a carreira dos Auxiliares de Acção Médica.

Lei nº 15/2006 de 26 de Abril
Artigo 4º
Avaliação de desempenho de 2006 e anos seguintes
1-...a avaliação de desempenho referente aos anos de 2006 e seguintes efectuam-se nos termos da Lei nº10/2004, de 22 de Março, e do Decreto Regulamentar nº 19-A/2004, de 14 de Maio, ou dos sistemas de avaliação de desempenho específicos adaptados ao abrigo do nº3 do artigo 2º e do artigo 21º da Lei nº10/2004, de 22 de Março, bem como dos sistemas específicos anteriores enquanto não vierem a ser adaptados.

01/04/08

PRÉMIOS DE DESEMPENHO ATRASADOS


Os prémios de desempenho, previstos na nova lei de vínculos, carreiras e remunerações estão dependentes da avaliação e do orçamento de cada serviço.
O SIADAP que entrou em vigor no início deste ano, está atrasado por várias razões. O sistema de avaliação prevê que as avaliações estejam concluidas até final de Março. Depois, os trabalhadores ainda têm a possibilidade de reclamar, caso não concordem com a nota. Ou seja, o processo ainda mais se vai atrasar.
Os prémios de desempenho, no valor de um salário base serão atribuídos a quem for avaliado com a nota máxima ou imediatamente a seguir. Devem ser atribuidos a 5% dos trabalhadores e a 5% dos dirigentes intermédios.

27/03/08

OS UNIFORMES DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA CLÍNICA SAN RAFAEL



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A coisa não vai ficar por aqui. No próximo dia 2 de Abril vai ter lugar a primeira acção de contestação ao regulamento interno da Clínica de San Rafael.
A administração da sociedade proprietária da clínicaa emitiu um comunicado onde afirma que "o regulamento interno que obriga a vestir este uniforme data de 1997".

03/03/08

A NOSSA EQUIPA DE TRABALHO



"AQUELES QUE SABEM TRABALHAR EM EQUIPA
ALCANÇAM OS SEUS OBJECTIVOS MAIS FACILMENTE
PORQUE TRABALHAM CONFIANDO UNS NOS OUTROS." Miguel Angel Cornejo

Todos são elementos da mesma equipa. Cada elemento da equipa executa uma função determinada e específica. Um elemento não é mais ou menos importante do que outro. O êxito da equipa está no bom desempenho de cada elemento. Todos são necessários, todos trabalham para alcançar o mesmo objectivo: vencer!

Nos hospitais todos vestimos a mesma camisola e trabalhamos na mesma equipa. Por isso, não aceito que alguns administradores hospitalares afirmem que os hospitais podem funcionar bem sem administradores, sem enfermeiros e sem auxiliares de acção médica, mas não podem funcionar bem sem médicos.