29/01/08

MAIS DO MESMO???

Dra.Ana Jorge é a Nova Ministra da Saúde. Deixa o cargo de directora do Serviço de Pediatria do Hospital Garcia de Orta, em Almada.
A futura ministra aceitou o convite e diz que acredita na reforma em curso, bem como no Serviço Nacional de Saúde....



Bem-vinda ao circo!!!

20/01/08

A AVALIAÇÃO AVALIADA

Com a publicação da Lei nº66-B/2007, de 28 de Dezembro de 2007, entrou em vigor em Portugal o SIADAP(Sistema de Avaliação de Desempenho da Administração Pública). Este sistema, que há tanto se fala, vai agora também avaliar o desempenho dos serviços, dirigentes e trabalhadores do Estado.
A partir deste ano, os funcionários públicos vão ser responsabilizados sempre que não cumprirem os seus objectivos.
No caso dos Auxiliares de Acção Médica, iremos ser avaliados pelo(a) nosso(a) encarregado(a), pelo Chefe de Enfermagem do serviço onde trabalhamos, pelo Encarregado Geral...pelos gestores e directores da unidade de saúde.
A avaliação deve ser comunicada ao auxiliar numa reunião com o avaliador, a ser realizada durante o mês de Fevereiro.
Ouço dizer que agora é a doer! E antes não?
O SIADAP tem quotas de avaliação: cada serviço tem um limite de 25% de "Muito Bom"e desses apenas 5% podem ser avaliados de "Excelentes" e "Relevantes". Ora, num serviço com Directores, gestores, médicos, técnicos, enfermeiros e Auxiliares como avaliar bem?

15/01/08

REGULAMENTAR A CARREIRA DE AUXILIAR DE ACÇÃO MÉDICA


O que significa regulamentar a carreira de Auxiliar de Acção Médica?
Significa ser reconhecido.
Os auxiliares de acção médica respeitam todas as profissões. Não queremos privilégios, mas apenas ser reconhecidos como profissionais de saúde, com uma vida profissional bem regulamentada, com perspectivas de evolução e crescimento profissional, pessoal e monetário.
O Governo prepara-se para aprovar as Carreiras e Vínculos e pelo que já li por aí, os Auxiliares de Acção Médica passarão a integrar a profissão dos "Técnicos Operacionais", ficando metidos no mesmo "saco" os vigilantes, os porteiros, os motoristas, os electricistas, os/as cozinheiras, os barbeiros, etc. etc....todos com carreiras diferentes e diferentes tarefas, mas todos chamados "Técnicos Operacionais".Os trabalhadores dos Serviços Gerais de Saúde, onde se incluem os A.A.M., através da sua associação(A.T.S.G.S.)estão a trabalhar e bem.Daqui a uns meses vamos ver o que será o nosso futuro profissional.

12/01/08

EM MEMÓRIA DO JAIME

Estou triste!
O Jaime, o doente da cama 66, tinha a sua fotografia publicada na necrologia do Jornal de Notícias. A sua mãe e restante família anunciava a hora do seu funeral e chorava a perda do seu ente querido...coitado do Jaime, nestas últimas semanas foi tratado pior que um cão abandonado. Esteve no hospital e não recebia visitas e a roupa que vestia era do hospital. Ele perguntava quando ia para casa da mãe. Mas no dia que os médicos lhe deram alta, a equipa de enfermagem contactou a família e o transporte foi marcado para o fim do dia 31 de Dezembro. Eu, no dia 1 de Janeiro fui trabalhar de manhã e para meu espanto encontro o Jaime na mesma cama. Soube que não havia ninguém em casa para o receber, a mãe não lhe abriu a porta e os senhores do transporte de doentes regressaram com ele ao hospital. Durante essa manhã, o Jaime perguntou-me se ia nesse dia para casa...queria ir para casa. Claro que lhe expliquei que era feriado e não havia quem o levasse e talvez fosse no dia seguinte.
Mas o Jaime continuou na cama 66, a tomar banho e a vestir um daqueles pijamas do hospital. Foram mais uns dias e um dia disseram-me que finalmente tinha sido transferido para uma unidade de saúde lá para os lados de Baião. Fiquei contente com a notícia, porque dada a idade da mãe do Jaime seria talvez melhor ele ir para um sítio onde o apoio não lhe faltaria.
Ontem fiquei triste, muito triste quando vi a sua fotografia no jornal. O Jaime merecia mais carinho, mais ternura e afecto. Os homens e mulheres que trabalharam ou trabalham na Associação de Ourives talvez se lembrem do contínuo chamado Jaime. Quanto à sua mãe, dona de casa, ao seu irmão, arquitecto, não tenho tantas certezas. Triste, triste é mesmo morrer abandonado.Nem um cão merece morrer assim!

09/01/08

A IMPORTÂNCIA DA BOA FORMAÇÃO



O JOGO DA VIDA

Os Heróis desta história:
Silvério Albino
e
Mário Baptista

Tiago,
13 anos, guarda redes do Castrense, no jogo de futebol do campeonato Distrital de Iniciados, que ocorreu no passado domingo, chocou com um adversário, caindo inanimado no chão.
O árbitro do encontro, Silvério Albino, apercebeu-se da gravidade da situação e correu para o jogador, e com a ajuda do seu assistente Mário Baptista, iniciaram as manobras de reanimação. Após quatro longos minutos e três tentativas de reanimar o Tiago, o jogador deu sinal de vida, sendo depois conduzido ao Hospital de Beja, de onde teve alta, tendo já regressado ontem à escola.

"Fiz a melhor arbitragem da minha vida", disse o sr.Silvério Albino, encarregado de pessoal auxiliar da Câmara de Ourique, bombeiro voluntário há 21 anos, pai de um filho com cinco anos e agora herói para o Tiago Resende.

Esta é a história que o Tiago nunca mais vai esquecer durante toda a vida. E se o árbitro não soubesse o que é o Suporte Básico de Vida? O mais certo era o jovem já estar a viver com uns bons palmos de terra em cima. Abençoada formação e abençoado bombeiro/árbitro que soube pôr em prática os conhecimentos necessários para salvar uma vida humana. Não é necessário ser-se médico, doutorado em ciências da medicina ou lá o que fôr, para em poucos minutos salvar uma vida. O bombeiro limitou-se a praticar aquilo que um dia lhe ensinaram e lhe disseram que poderia salvar vidas humanas quando presenciasse uma situação como a do Tiago.
É bom que as administrações dos estabelecimentos de saúde do nosso país invistam mais na formação dos profissionais que administram. Todos, mas todos sem excepção, devemos ter os conhecimentos básicos para acorrer a situações como a que descrevi. No hospital também ocorrem situações de emergência. Embora seja um local com muitos médicos, enfermeiros, especialistas, secretárias, electricistas, vigilantes, auxiliares, etc.,etc., também andam pelo hospital muitos doentes, muitos familiares e acidentes podem acontecer a qualquer momento, em qualquer canto, em qualquer corredor ou em qualquer elevador...e quem está ao lado do acidentado tem de saber como salvar a vida. Todos os minutos contam e não há tempo para grandes demoras. E dada a importância das manobras de reanimação básicas, porque as paragens cárdio-respiratórias são a causa de morte de milhares de pessoas em todo o mundo, podendo ser evitada se a vítima for socorrida rapidamente, é importante cada um de nós estar apto a salvar uma vida. É importante que o maior número de pessoas disponha de conhecimentos de como intervir em caso de necessidade, enquanto se aguarda socorro de emergência médica. Penso que esses conhecimentos deviam começar nas escolas e levar a formação aos pais, às muitas e variadas Associações Culturais e Desportivas, Restaurantes, Hoteis, Lares de Idosos...e a todos os portugueses, por exemplo, através da televisão, jornais e revistas. A televisão, a caixinha que mudou o Mundo, a caixinha que todos ligam mesmo que não vejam, pode mudar a vida de muitos tele-espectadores com programas de educação e ensinamentos, como este do Suporte Básico de Vida. É tudo uma questão de prioridades e de os senhores das televisões optarem por educar, formar, informar e também entreter o Zé Povinho com assuntos realmente importantes para todos os portugueses e ainda com o prémio de um dia poderem ser Heróis, como o nosso árbitro/bombeiro/encarregado/pai a quem o Tiago tanto agradece.
Ainda bem que há pessoas assim!








MOBILIZAÇÃO E TRANSFERÊNCIA



Video editado por www.humanizar.es .


Aconselho aos Auxiliares de Acção Médica( e também aos enfermeiros) que vejam estas imagens. A internet pode ajudar-nos a melhorar a qualidade do serviço que prestamos aos doentes. Em Portugal, principalmente no grupo dos Auxiliares de Acção Médica, ainda existe uma falta enorme de formação profissional. Tenho investigado na internet temas sobre o assunto e cada vez que encontro algo importante tenho-o divulgado aqui e tenho também passado a informação aos colegas que trabalham comigo. A saúde tem muito para melhorar. Há muito trabalho por realizar. A qualidade dos profissionais de saúde deve ser cada vez maior. A Humanização do Serviço Nacional de Saúde também passa por um maior interesse dos profissionais que todos os dias lidam com os utentes, os doentes e todos os que se servem dos serviços de saúde. Eu, como Auxiliar de Acção Médica e a exercer a minha função num serviço de medicina interna, tenho sentido falta de formação para às vezes acorrer a determinadas situações que me aparecem no dia a dia. A experiência não é tudo, tratar e ajudar pessoas doentes não é sempre igual, não é sempre o mesmo tipo de pessoa e nós, como Auxiliares de Acção Médica, devemos saber ser, fazer e ter a cada momento, a atitude e o gesto mais certo e seguro para com quem temos à nossa frente.

05/01/08

ENTRAR E SAIR DO HOSPITAL


O Hospital de São João já tem o sistema de controlo biométrico em funcionamento experimental desde o dia 1 de Janeiro. As máquinas até agora instaladas não são suficientes e as filas de espera começam a ser preocupantes. Ainda na quinta feira passada, as pessoas demoravam 20 minutos para passar o dedo, tanto à entrada das 8 horas como na saída das 14 horas. Com a necessidade de controlar cerca de 5000 dedos durante o dia, as pobres máquinas entraram em greve e obrigaram os trabalhadores a esperar na fila pela sua vez.
No Hospital de Santa Maria, com mais ou menos o mesmo número de funcionários, a administração decidiu instalar 200 máquinas e progressivamente, todos os computadores onde os profissionais acedem vão ter um controlo biométrico. Porque não seguir este exemplo aqui nos hospitais do norte? Claro, Santa Maria é na capital, é em Lisboa e lá é tudo à grande e à francesa. Os trabalhadores do norte também não gostam de esperar na fila, são tão merecedores como os do sul.

04/01/08

A IMPORTÂNCIA DA PONTUALIDADE


A pontualidade é uma atitude, é respeito pelos colegas que vamos substituir no nosso local de trabalho. Eles esperam a nossa chegada a tempo de poderem passar o "turno" com as informações necessárias e importantes relacionadas com os doentes, com as tarefas a fazer durante o nosso tempo de trabalho, etc. Quando o turno chega ao fim todos os auxiliares de acção médica desejam sair e ir para suas casas, tratar da suas vidas familiares, apanhar o autocarro o mais cedo possível...e a pontualidade é uma questão de atitude, de respeito para com os colegas, que às vezes já levam 12 horas de trabalho em cima do corpo.
Pode ser que o ponto electrónico venha a contribuir para aumenter a pontualidade dos auxiliares de acção médica. Eu, regra geral, cumpridor e pontual, não tenho nada a perder com o ter de colocar o meu dedo no detector de assiduidade do hospital. Temo que alguns colegas sejam assíduos para digitalizar o dedo, mas já não sejam pontuais a chegar ao seu local de trabalho. Recomendo que depois da leitura biométrica (a efectuar uns 10 minutos antes do início do turno)se dirijam para o seu local de trabalho e que a pontualidade seja uma atitude sempre presente.Claro que pontualmente podemos atrasar-nos, por causa do trânsito, por causa do autocarro ou por qualquer outra razão, mas isso é explicável, o que não pode ser explicável nem aceite é que este comportamento se transforme numa rotina. Se o autocarro vem sempre atrasado, a solução é ir para a paragem mais cedo e assim também mais cedo vai chegar ao destino. Se havia muitas pessoas na fila para "pôr o dedo", a solução é na vez seguinte entrar mais cedo no hospital e colocar o dedo mais cedo.
Para mim, a pontualidade é uma questão muito importante. E quando se trabalha num hospital ou noutro estabelecimento de saúde, a pontualidade é muito mais importante. A falha ou o atraso de um auxiliar de acção médica pode desencadear um conjunto de falhas a seguir, como atrasos de análises, de exames, de entrega de processos e a sobrecarga de mais trabalho para a equipa de enfermagem.Vamos todos assumir a pontualidade como uma atitude, como uma rotina que nos ajuda a ser mais profissionais. Ganhamos nós, ganham os doentes e ganha o país. Todos ganhamos e este jogo da Vida de auxiliar necessita de nós.

02/01/08

AS FALHAS DA BIOMETRIA




O Livro de Ponto Automático e Controlo de Assiduidade tem o objectivo de informatizar e facilitar todo o processo relacionado com o livro de ponto e o registo de presenças dos trabalhadores.
Trata-se de um sistema electrónico de controlo de assiduidade que o Ministério da Saúde decidiu implementar em todos os hospitais e serviços centrais de saúde.
O sistema é tido como o método mais seguro do Mundo. Mas, em Portugal já se descobriu como enganar o sistema. Uma simples prótese de um dedo de silicone, com o registo das linhas e sulcos da impressão digital de qualquer profissional de saúde, pode ludibriar a máquina.
Eu sou Auxiliar de Acção Médica, a mim não me faz qualquer tipo de espécie fazer controlo biométrico. Aliás todos os profissionais no serviço onde trabalho, entramos 10 minutos antes da hora, salvo raras excepções, como acontece em todas as empresas.
No Hospital de São João, o sistema começou a funcionar no dia 1 de Janeiro de 2008. Durante os três primeiros meses, paralelamente, vai continuar a ser utilizado o sistema de controlo clássico, ou seja, o "livro de ponto", para perceber se o sistema biométrico está a funcionar bem.
E parece que as máquinas ainda não se habituaram a ler a biometria de muitos profissionais. Ainda hoje, as máquinas decidiram aceitar apenas os números impares. Os trabalhadores com o número mecanográfico "par" tiveram que ir trabalhar sem fazer o registo biométrico da entrada. Quando saí do meu turno de trabalho, o número de máquinas avariadas era ainda maior e muitos trabalhadores sairam sem o respectivo registo, enquanto outros, entravam não podendo registar o momento.
Os 16 terminais para leitura biométrica instalados no Hospital de São João, estão a revelar-se insuficientes face ao número de funcionários que nele trabalham.

31/12/07

MENSAGEM DE ANO NOVO


FELIZ ANO NOVO!!!
Porque razão desejamos "Feliz Ano Novo"?
Porque celebramos a passagem do ano?
Por esta altura do ano, é normal e geral "fazer uma limpeza",
esquecer o passado, pensar no ano novo que aí vem e desejar um futuro mais promissor.
Apesar de não termos alcançado todas as promessas feitas na passagem de ano do ano que está a chegar ao fim, o desejo de recomeçar volta sempre. O desejo da maioria de nós é o de "atirar o passado para trás das costas", "passar uma esponja no passado", estabelecer novos objectivos e trabalhar para um futuro próspero.
Em vez de decidir "Eu não vou fazer isto" ou "Eu não vou fazer aquilo", devemos dizer "Eu vou fazer isto" e "Eu vou fazer aquilo". Existe uma grande diferença e junta-se uma motivação maior, uma maior determinação e uma maior decisão.
Além do mais, estabelecer objectivos não se restringe ao dia do Ano Novo. Pode acontecer em qualquer altura do ano. Mas quando quer que aconteça, marca de facto um "Novo Ano" na vida de uma pessoa.
Recorda-se do ditado "Hoje é o primeiro dia
do resto da minha vida"
Sim! É verdade!
Mas também é verdade dizer: "FELIZ ANO NOVO!"

30/12/07





O AUXILIAR DE ACÇÃO MÉDICA DO SÉCULO XXI

Os Auxiliares de Acção Médica tem direito a ser tratados com dignidade. As leis laborais devem servir para fazer respeitar os seus direitos e clarificar os seus deveres, bem como ter em conta as suas dificuldades.
Os Auxiliares de Acção Médica são um dos grupos profissionais que lidam com os doentes. É urgente e fundamental que os AAM, a sua maioria com remunerações muito baixas, sejam um grupo mais reconhecido e uma imagem mais dignificante.Nos últimos anos, os diversos governos refugiaram-se nas políticas economicistas e só têm criado dificuldades no trabalho dos auxiliares. Embora se diga que há muitos auxiliares de acção médica, a verdade é que nos hospitais há falta destes profissionais, principalmente nos serviços de internamento. Por vezes, a falta destes elementos em número suficiente faz diminuir a qualidade do seu trabalho. Há tarefas que deviam ser levadas a cabo com mais tempo, com mais cuidados e como o tempo não pára, por vezes, os auxiliares têm que dar à perna o melhor que sabem e podem.
Actualmente os Auxiliares de Acção Médica já não são só mulheres. Também há muitos homens que exercem as mesmas tarefas das mulheres. Eles, sabem tão bem como elas, utilizar a esfregona para limpar corredores, enfermarias e limpar o que precisa de ser limpo.
Os Auxiliares de Acção Médica estão a entrar numa fase de mudanças na organização das suas carreiras. Há necessidade de dignificar este grupo profissional e dar formação adequada é um começo. A essa melhoria de formação deve-se juntar uma melhor remuneração, mais baseada nas qualidades de cada profissional, nas suas qualidades humanas, na sua vontade e intuição. O tempo da mão-de-obra barata deve passar à história. Os auxiliares devem manifestar-se contra as formas de trabalho que implicam a desumanização e perda de competência ou que nos impedem a possibilidade de formação.
Está a terminar o ano de 2007 e outro vem aí. Vai ser um ano de muitas mudanças no que diz respeito às carreiras e vínculos dos profissionais de saúde. Os Auxiliares de Acção Médica vão também estar na baila e ninguém ainda sabe como vão ficar quanto às carreiras, mas alguma coisa vai acontecer. Tudo o que seja para melhorar, profissionalizar, humanizar e reconhecer o valor dos auxiliares é por nós bem recebido.
Bom fim de Ano e um 2008 repleto de saúde, paz e amor.

A IMPORTÂNCIA DO DEDO PARA TRABALHAR NO HOSPITAL



O fim do ano é a data limite para pôr a funcionar o controlo de assiduidade por impressão digital nos hospitais portugueses.
No São João, Santa Maria e Coimbra, a instalação dos terminais tem sido pacífica. Mas no Hospital de Santo António os terminais já foram danificados e até já houve pessoas a enganar o sistema com dedos de silicone. Vai entrar em vigor para todos os funcionários a partir do dia 1 de Janeiro de 2008. O registo é para todos os profissionais do hospital e durante três meses continuará, em simultâneo, o velho livro de ponto.
O novo sistema vai trazer mais seriedade no registo das entradas e saídas dos funcionários. Ao contrário do livro de ponto, com o sistema digital, o trabalhador tem mesmo que "pôr" o dedo no sensor biométrico e registar a sua entrada ou saída.
Para mim, com o velho ou com o novo vai continuar tudo como dantes. Raramente chego atrasado e muito raramente saio antes da hora. Já não posso afirmar o mesmo de outros colegas que a partir de Janeiro vão mesmo que mudar alguns maus hábitos.
Os Auxiliares de Acção Médica, elementos das equipas multidisciplinares de saúde, quando faltamos, quando chegamos atrasados, quando não trabalhamos em uníssono é sentido pelas equipas de enfermagem, pelos médicos, pelo pessoal de secretariado...a nossa falta só é notada quando não estamos presentes. Muitas vezes a culpa é nossa e só nossa. Temo é que o sistema digital só registe a hora de entrada e de saída. É um começo para a auto-responsabilidade, mas não é suficiente para transformar o trabalhador num melhor profissional.A assiduidade e a pontualidade são importantes, mas há outros factores que ainda têm maior importância na avaliação do trabalho de cada auxiliar. Ser assíduo, ser pontual, ser eficiente, ser zeloso, ser cuidadoso, ser carinhoso, ser muito paciente são alguns "biométricos" bem mais importantes no desempenho dos Auxiliares de Acção Médica. Todos os profissionais do hospital são importantes e todos somos poucos para prestar bons e profissionais cuidados de saúde.
Saibamos nós, os Auxiliares de Acção Médica, aproveitar a assiduidade e a pontualidade para iniciarmos um dia de trabalho em equipa e cada um fazer aquilo que lhe está atribuido fazer e ajudar outros a fazer mais e melhor.

O NATAL DA VIDA E MORTE NOS HOSPITAIS



O verdadeiro Natal dos Hospitais é feito de muitas histórias tristes, que nem a alegria da música consegue esconder. Por esta altura do ano o hospital enche-se de doentes com os motivos mais variados e estranhos. Até parece que há quem despeje o familiar no Serviço de Urgência e os profissionais de saúde que tratem dele. Os serviços de internamento nesta altura do ano fica super cheio e não há lugares vazios nas enfermarias.
O Natal já lá vai, mas a vida continua e vem aí a passagem para 2008 e a cena vai repetir-se. Se o Menino estivesse para nascer agora, não o seria certamente numa dessas maternidades que encerraram porque um "sábio político" disse que tinha de fechar. O mais certo, era o Menino ter nascido numa ambulância qualquer a caminho do hospital situado a centenas de quilómetros de distância, porque o "sábio" tinha mandado encerrar as maternidades da região.
Hoje, em Portugal, nascer e morrer já não é como dantes. Nascem crianças dentro de ambulâncias a caminho do hospital. Os idosos e os novos morrem numa cama de hospital e vão direitinhos para o cemitério. A vida e a morte nunca andaram tão juntos no hospital. A nós, Auxiliares de Acção Médica, só nos resta acarinhar aqueles que nos colocam nas enfermarias do serviço onde trabalhamos.

18/12/07

UMA HUMIDIFICAÇÃO MAIS BENÉFICA PARA O DOENTE



O copo " tradicional", de uso mais geral nos nossos hospitais, para fazer a humidificação do oxigénio, é talvez mais barato ao SNS e claro que traz benefícios económicos ao hospital. O que acontece, é que estes copos não são esterilizados como devem ser e podem tornar-se transmissores de bactérias que poderão proporcionar infecções no doente em causa. No serviço onde eu trabalho, estes copos são mudados 3 vezes por semana, caso o doente permaneça na mesma unidade. Quando os enfermeiros substituem o copo ou quando o doente tem alta, os Auxiliares devem lavá-los bem, com água e detergente e deixar secar. Ao arrumar os copos, devemos passar uma compressa embebida em alcool e colocá-los no lugar respectivo para futura utilização. Tenho conhecimento de outros serviços onde nem sequer substituem os copos durante a semana...não sei quando o fazem ou se apenas o fazem quando o doente sair da unidade!!!
No hospital e no meu serviço há também os"AQUAPACK". Não sei por que razão(ou melhor, sei, que me dizem ser mais caros...)o stock destes frascos é diminuto e restritivo o seu uso.
Se este sistema é melhor e garante de facto um melhor isolamento, comparativamente aos copos tradicionais, porque os AQUAPACK's são completamente descartáveis e incorporam água estéril no seu interior, se o doente não corre tantos riscos de infecções respiratórias podendo contribuir para uma saída da unidade mais depressa, porque não optar por banir os copos e optar pelos Aquapack's? Os Auxiliares de Acção Médica e os Enfermeiros, demoram menos tempo a fazer a substituição, não se gastam filtros, não se gasta água bidestilada e o doente sai beneficiado com um serviço de melhor qualidade. Ganhamos todos, ganha o país.

10/12/07

AS ELEIÇÕES DOS MÉDICOS E ENFERMEIROS ESTÃO AÍ

Os médicos e os enfermeiros vão ser chamados a eleger os seus respectivos bastonários. Ambas as classes profissionais estão a viver momentos difíceis( e quem não está?). Há médicos e enfermeiros que vivem com o credo na boca, não esquecendo os milhares de enfermeiros que estão em casa sem trabalho. Não dá para entender o nosso sistema de saúde. Dia a dia, nos estabelecimentos de saúde do país, médicos e enfermeiros ( a que se juntam os Auxiliares Acção Médica) trabalham no duro e não conseguem satisfazer as necessidades dos utentes que os procuram. Os médicos e os enfermeiros são daqueles profissionais indispensáveis a um bom funcionamento dos serviços de saúde. Os governantes políticos deste país ( os de ontem e os de hoje), precisavam de ter a necessidade de serem internados num hospital do SNS e rapidamente se aperceberiam dos esquecimentos a que estes profissionais estão a ser levados.
As eleições, para além da importância que têm para o futuro de cada uma das classes, devem servir como oportunidade para dar a conhecer ao povo português e aos políticos as suas necessidades, os seus receios, os seus projectos para uma melhoria da qualidade dos serviços que sabiamente prestam a todos. Votem, participem, lutem por um um mundo melhor, mas também por uns profissionais mais reconhecidos por todos nós. Os Auxiliares de Acção Médica , como elementos das equipas multidisciplinares, desejamos que médicos e enfermeiros se fortaleçam mais com estas eleições e todos juntos, cada um nas suas dignas funções, levem os serviços que prestamos a um nível de mais qualidade, mais satisfação e mais humanismo.Todos ganhamos.

08/12/07

AUXILIARES DE ACÇÃO MÉDICA COM BOA AVALIAÇÃO DOS UTENTES

A.A.Médica do S.João

Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública para a Revista "Sábado" atribuiu o título de melhor hospital para o tratamento das doenças do ouvido, nariz e garganta, ao Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital de S.João, no Porto.
Segundo as conclusões de um inquérito de satisfação aos utentes deste serviço, 89% elogiaram a atitude(simpatia, atenção e disponibilidade) dos Auxiliares de Acção Médica que trabalham neste serviço.

22/11/07

NO SABER SER É QUE ESTÁ O GANHO

QUEM CONTRATA TAMBÉM DEVE FORMAR

Estes últimos anos os contratos a prazo cresceram em Portugal. Os hospitais portugueses e outros estabelecimentos de saúde recorreram e continuam a abusar deste tipo de recrutamento dos seus colaboradores. As administrações, para fazer face às faltas de recursos humanos, aproveitando a má situação económica que o país atravessa e com o intuito economicista, não exploram outras formas de reforçar os seus profissionais. Têm medo de errarem quando recrutam? A lei não lhes permite ajustar as necessidades laborais aos ciclos de actividade que passam nessas instituições que dirigem. Então recorrem aos contratos individuais de trabalho, vinculando provisoriamente o trabalhador.
São opções racionais, são decisões tomadas por quem pensa "poupar" alguns euros com mão de obra barata, com falta de formação profissional e convencem-se de que o trabalhador vai trabalhar motivado, alegre e satisfeito. Só na cabeça de alguns administradores! Qual é o nível de motivação do trabalhador que sabe, ou melhor, não sabe, se o seu trabalho vai ter continuidade ou não? E qual é o hospital que investe na formação desse Auxiliar de Acção Médica com um vínculo precário, sem perspectivas de continuidade( é uma possibilidade sempre presente nos contratos a termo certo) tendo que trabalhar dia após dia, evitando não faltar ao serviço? Os próprios Serviços para onde são encaminhados esses profissionais, ou melhor, esses trabalhadores, não gozam de estabilidade no desempenho diário das tarefas a executar devido ao excesso de rotatividade dos elementos dessa equipa multidisciplinar. Com três anos de AAM a equipa do serviço onde eu trabalho está constantemente a ser remodelada. Uns porque pedem transferência para outro serviço, outros porque se vão embora à procura de outro trabalho e há sempre quem necessite de assistência e cuidados de saúde. Ou seja, com uma equipa em que há sempre "jogadores" inaptos para o "jogo" não há Enfermeiro Chefe ou Encarregado de Sector que mantenha o desempenho da equipa numa forma que todos os utentes dos hospitais precisam. E quem aguenta com estas oscilações são sempre os mesmos: os auxiliares assíduos, que dia a dia trabalham com os doentes, os enfermeiros e todos os outros que andam pelos hospitais.
Todos perdemos com estas situações, perde o país, perde o hospital e sofre o trabalhador porque se vê "forçado" a produzir sem compensações justas e verdadeiras. Resta-nos o afecto e os carinhos que recebemos gratuitamente dos doentes.
Mas, haja saúde e sorriam porque ainda não se paga para sorrir.

21/11/07

CANSADO DE TRABALHAR?


Curioso???!!!!
Nós, auxiliares de acção médica, por vezes trabalhamos demais, trabalhando muitas vezes 12 horas seguidas e às vezes, 18 horas sem parar.
Claro, o horário normal não é assim. Mas, umas vezes é um colega que adoece e alguém o tem que substituir, outras vezes, para cumprir a média das 40 horas/semana(aqueles que estamos com Contrato Individual de Trabalho, trabalhamos 12 horas , chamada de"carga horária"). E, quando trabalhamos no turno da manhã e no final do dia regressamos para fazer o turno da noite? Ou quando trabalhamos das 14:00 até às 20:00 e engatamos na noite? É mesmo vida dura, não é?Ou depois da noite termos que seguir o turno da manhã!!!
Quem não se cansa a trabalhar com estes horários?
Ainda não entendi qual a razão que levou algumas administrações hospitalares a colocar os auxiliares contratados num horário com 40 horas semanais. Se alguém souber o fundamento desta aberração...é que os outros colegas só trabalham 35 horas. Será porque o prémio de assiduidade é assim tão chorudo e prontos, estamos ali como pau para toda a obra e temos que dar mais o corpo ao manifesto, é que os contratos têm que ter continuidade.
Trabalho, trabalho e mais trabalho, pedem-nos os encarregados, mesmo até antes de gozarmos o nosso merecido descanso.
Alguém tem a consciência que se morresse amanhã,
o hospital, o centro de saúde, o centro de dia ou o lar, ou a clínica onde trabalha
substituia-nos rapidamente?
Mas a família que deixamos para trás,
sentirá a nossa falta para o resto das suas vidas.
Pensando nisto, perdemos mais tempo com o trabalho
do que com a família, um investimento muito pouco sensato, não acham?

16/11/07

MENSAGEM DA ADMINISTRAÇÃO DE UM HOSPITAL AOS SEUS COLABORADORES


Se fores barulhento, triste ou frio,

assim será o hospital.

Se fores rude, atrevido ou indiferente,

assim será o hospital.

Se fores simpático, atrevido ou maravilhoso,

assim será o hospital.


Nem visitantes, nem doentes, nem médicos ou colegas,

podem jamais conhecer o teu "eu" verdadeiro.

O "eu" que tú conheces, está lá,

A menos que o deixes vê-lo.

Tudo o que eles podem saber

é o que eles ouvem e veêm e se apercebem.

Assim, nós temos interesse

na tua actividade e nas atitudes colectivas

de todos quantos trabalham no hospital.

Nós somos julgados pela nossa performance,

nós somos os cuidados e carinhos que tú dás,

a atenção que tú prestas e dedicas,

as cortesias que tú disponibilizas.


Muito obrigado por tudo

o que estais a fazer.


Este texto foi ouvido no II Congresso dos Trabalhadores dos Serviços Gerais de Saúde. A carta foi enviada, há já uns anos, pela Administração de um hospital americano. É um texto que merece ser lido e tido em conta.